MAIS UM DIA DE RAIVA!!!

6 05 2008

 

Não que a notícia fosse uma novidade para mim ou para alguém! Não que em minha casa a TVI seja muito vista, pelo menos por mim! Não que até seja um hábito esta Estação fazer reportagens com repórteres que deixam a opinião vencer a isenção!

Mas neste caso acho que nenhum ser humano com uma pontinha de sensatez seria capaz de fazer uma reportagem sobre mais uma das vergonhosas realidades portuguesas e, a certa altura, não mostrar indignação contra tal brutalidade!

A TVI presenteou-nos hoje, no seu «Repórter TVI» com uma brilhante e incisiva reportagem sobre mais um dos cancros sociais deste belo país: as operações oftalmológicas, ou melhor, a ausência delas! Eu que até estava a acabar de jantar, comecei a tomar atenção ao programa e não é que o franguito começou a querer «regressar ao prato»?

Eu já suspeitava, pois suspeição é uma das poucas palavras que se vão podendo dizer em Portugal, que as vergonhosas listas de espera mais não eram que uma consequência do conluio da classe médica e da complacência política, mas depois do que vi e ouvi dá-me vontade de assassinar este país!

Vejam só mais dúzia de coisas que ouvi:

Uma operação às cataratas dura 8 a 10 minutos (não é engano meu, são mesmo OITO minutos); Essa simples intervenção faz «APENAS» com que um ser humano passe de quase cego a ter uma visão quase perfeita; Essa operação em Portugal custa 4 a 5 anos de agonia ou então entre 1800 a 2500 euros numa luxuosa clínica privada; Essa operação pode facilmente ser feita em Portugal em qualquer dos mais de 50 centros hospitalares públicos com condições para tal, mas NÃO! Não é feita!

Com apoio de familiares e de autarcas com coração, esses seres humanos vão a Mérida, Badajoz ou mesmo Cuba (essa ditadurazita que é um apêndice ao pé deste grandioso e justo país chamado Portugal) e a troco de menos de 800 euros, uma curta viagem ao lado de lá da fronteira, ou longa, mas com a mais-valia de uns laivos de turismo transatlântico numa tão apreciada viagem às Caraíbas, esses seres humanos entregam-se nas mãos de outros seres humanos, de outra nacionalidade, outra cultura, outros credos, quiçá, mas com duas simples coisinhas de nome sensibilidade e compaixão por quem sofre; que maior prazer, pensarão eles, pode haver do que tirar o sofrimento a alguém, exercendo apenas a nossa profissão e sendo justamente pago para tal?

Mas em Portugal, meus senhores, não é assim!

Em Portugal ser médico não é como em Espanha e Cuba! Em Portugal ser médico não é ter sido um aluno brilhante com 17 ou 18 de média e, depois do curso tirado, dedicar a vida a minimizar o sofrimento de quem lhes paga muito acima da média! Em Portugal, ser médico é ter sido um aluno sobredotado com média de 19 ou 20 e depois do curso tirado, passarem a fazer parte do clube dos intocáveis; o clube dos novos ricos; o clube dos carros de 100 000 euros; o clube daquilo que eles quiserem! Culpados? Claro que não! Bem hajam eles! Aliás basta reparar na postura do seu mais alto representante (a que chamam de Bastonário) que, perante as agudas investidas do jornalista, aludindo à vergonha, pouco mais fazia do que engolir em seco!

A culpa, essa mora noutras paragens!

A culpa mora num antro fétido e apodrecido, polvilhado de uma espécie perigosíssima de nome «POLÍTICOS»! Essa corja de alarves que se vão refastelando, coçando a pança uns dos outros e se estão bem nas tintas para o sofrimento de quem votou neles e lhes paga!

Por muito discernimento que um homem possa ter, a raiva apodera-se-nos do ego! Como é possível um governo passar insensível a uma coisa destas? Como é possível um governo não conseguir ter TOMATES (é mesmo isso!) para colocar o clube dos intocáveis no seu lugar? Querem privado? Força! Mas para o público apenas vem quem quer trabalhar ao serviço do povo e se não querem, baixamos os numerus clausus das faculdades e deixamos que os «fracos» alunos de 17 e 18 de média sejam médicos e ocupem os vossos lugares e o dos espanhóis, cubanos, ucranianos, etc!

Mas não, meus senhores! Os políticos continuam puras marionetas nas mãos do clube dos intocáveis que, segundo a reportagem, se dão ao luxo de coisas como esta: No Hospital de Faro, apenas o desgraçado do Oftalmologista chefe, que debaixo de toda a sua impotência falou à reportagem, resistiu ao vil metal do privado; todos os outros abandonaram. Até aqui nada de especial. Agora vejam isto: esses senhores que abandonaram associaram-se e apresentaram logo de seguida uma proposta ao hospital, para lá trabalharam segundo as suas exigências, regras e vencimentos, como que a dizer, se quiserem assim até podemos fazer mais umas operaçõezitas!

Belisquem-me por favor que eu não estou em mim!!!

Em nome do decoro, apesar dos utentes levarem por tabela, tal foi-lhes liminarmente negado! E aí andam eles nos seus BM’s todos catitas de consultório em consultório, arrancando o sebo aos desgraçados que sofrem!

Vivemos, pois, num país onde coisas destas são normais, onde um senhor do alto do palanque da Assembleia da República vomita politiquices ocas, com um coração desprovido de qualquer sensibilidade social, preferindo passar o tempo a agredir professores, por exemplo! Eu não concebo um ser humano que fica insensível ao ver um seu semelhante a lacrimejar de alegria porque há um mês já nem conseguia ver as mesas que durante 50 anos serviu e limpou e agora consegue ler as letras mais pequeninas do menu que dá aos fregueses! Tudo isto apenas porque foi a um país estrangeiro buscar uma felicidade por menos de metade do preço que ela custa no seu país ou lhe é simplesmente negada!

Isto, meus senhores, não é gente!

 

Com estas e outras, o meu discurso vai mudando! Não, eu não sinto mais vergonha de ser português! Eu vou sentindo cada vez mais NOJO de ser português!

 

Para finalizar, este powerpoint que se segue vem a mesmo a calhar. Reflictam!

clicar em tudomudou

 

 

Paulo Carvalho

 

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40 responses

6 05 2008
sara rosa

paulo sou a sara rosa,eu já fiz essa operação há 4 anos,em coimbra na clinica de um médico de lá,foi rápido não tive que esperar,e custou-me 400€ não foi tão caro como isso, e só a maravilha de ver bem ,não há dinheiro que pague,sobre o (franguito) é mesmo assim,como já a fiz ,não me fez impressão, e o que me diz do acordo ortografico? eu já fiz petição contra,deixem ao menos a nossa lingua como recordação do que já fomos.noite descansada. sara rosa

6 05 2008
Vítor Ramalho

É uma vergonha a forma como este sistema e este governo nos tratam da saúde.

6 05 2008
ramiro marques

Excelente texto. Parabéns. Dá-lhes com força que eu também dou.

6 05 2008
Pedro

Muito bom.

Nem comento as tuas palavras, pois compartilho-as em pleno.

Keep It.

6 05 2008
pjrcarvalho70

Cara Sara Rosa: quanto ao acordo ortográfico, confesso-lhe que é coisa que não me consegue desasossegar, pois eu continuarei a escrever na língua de Camões que me ensinaram e não será uma qualquer convenção tirada da cartola de meia dúzia de palhaçõs que me fará abdicar desse princípio; para mais, os sortilégios linguísticos não doem nem me parece que coloquem em causa a dignidade e o bem-estar de um povo!

Um abraço
Paulo carvalho

6 05 2008
pjrcarvalho70

Um pequeno apontamento:
Minha cara Sara Rosa: parece-me que entendeu que a vontade do «franguito» querer voltar ao prato se deveu ao visionamento da cirurgia! Nem pouco mais ou menos! Deveu-se, isso sim, ao tal nojo que refiro no final do texto!
As cirurgias provocam-me é alegria de ver aquela gente satisfeita por ver alguém cuidar-lhes da saúde, pois em Portugal «tratam-nos da Saúde» mas no sentido conotativo que o povo custuma dar a esta expressão!!!

PC

6 05 2008
hajakalmah

Nacionalizem as clinicas e os medicos!!! E so o que eu tenho a dizer…
Bom texto, Paulo! Continua!

Edgar

6 05 2008
Jorge Almeida Bernardo

Caro Paulo,
Bravo! mais uma vez. E, com os médicos a portarem-se desta maneira, porque é que insistem em tentar voltar as pessoas contra os professores?
Quanto ao acordo ortográfico, também vou ignorá-lo. Aliás, na minha empresa, dei instruções para o acordo ser ignorado – em todas as comunicações escritas será mantida a norma actualmente em vigor.
Pouco a pouco, levam-nos a dignidade, levam-nos a língua… que mais nos resta? Resistência cívica, denúncia permanente das canalhices que pululam à nossa volta e acção organizada de grupo. Individualmente, iremos sendo abatidos um a um. Perante a injustiça e a intimidação teremos de fazer sentir a força de um grupo de pressão. O ataque a um dos “nossos” deverá ser encarado como um ataque ao grupo. É preciso reactivar conceitos agora quase esquecidos como “solidariedade” e “fraternidade”. E eu, que sempre me achei uma pessoa de direita, nunca imaginei ter de dizer estas coisas 34 anos depois do 25 de Abril! Nunca imaginei ver outra vez bufos nas escolas, polícia a identificar professores, conselhos executivos contra os colegas e ao serviço do Ministério. Num próximo post falarei de alguns conselhos executivos que vejo à minha volta… esquecem que são professores, aspiram a ser comissários políticos, aspiram à nomeação para directores de escola da nova vaga… é muito triste, e a culpa não é só do Ministério.

6 05 2008
João pedro Costa

Partilho, há muito, desse nojo.
“Algo está podre no reino da Dinamarca”, prefeaciava alegoricamente M. Alegre um dos seus livros de poemas contra a ditadura. E agora?

6 05 2008
JER

Olá Paulo!

Ainda por cima os nossos médicos fazem duas operações por semana!!! Fica estafados coitados! Pelo menos 1 por dia!!!!Por amor da santa!
Mas não gostei do jornalista podia ao menos ter respeitado os turnos de conversação!

Abraço

6 05 2008
Vera Castanheira Nunes

Paulo, como já disseram antes, as suas palavras estão ditas/escritas ( não vá alguém pensar que o Paulo não escreve aqui mas “fala”) e o mais que há a dizer é pouco. Por exemplo, para quê médias para medicina, se a maioria desiste antes do 3º ano?…Que ficará de humano (na boa acepção da palavra ) em jovens que durante três anos pelo menos,não fizeram outra coisa senão marrar e competir. Que pessoas serão essas que durante o curso bajulam, se preparam para uma carreira não pelo prazer de trabalharem no que gostam mas por uma questão de estatuto e dinheiro. Claro que há excepções – que confirmam a regra – de jovens inteligentes e trabalhadores, de quem trabalhe apenas no sector público, de quem tenha tempo para viver e ser bom no que faz. E sim, nacionalizem os médicos e as clínicas!
Sara Rosa, decerto não está a pensar que para a grande maioria da população, 400 euros é um preço acessível, não é verdade ?!… De qualquer modo o preço não é esse e, creio, teimosamente creio, que a Saúde é um direito de todos nós. De todos.

Um abraço
Vera

6 05 2008
Paulac

Obrigado Paulo por lançar este problema para “discussão”; revejo-me completamente nas suas palavras. Infelizmente tenho um pai que está (aliás, esteve) nessas condições de longa espera e quando atendido seriu apenas como mera cobaia de investigação.Neste momento não consegue ler nem conduzir(o que fazia com bastante regularidade) e já não tem hipóteses de tratamento. O que fazer???? Processar este pessoal sabendo à partida que não vão devolver a vista ao meu pai??? Pois é, neste país o abismo entre profissões é cada vez mais visível e assustador! E nós professores já estamos na lista negra deste governo. Não percebo, tanto descontentamento e as previsões(SIC)dão-lhe 43% nas legislativas! Será que todo o país precisa de uma intervençãozita aos olhos (sem ofensa)???
Um abraço

6 05 2008
Zulmiro Almeida

Aparece aqui um comentário de um tal “Vitor Ramalho”
Não tem nada a ver com o Sr Vitor Ramalho do aparelho “Rosa” pois não?
Dizer que é uma vergonha como o sistema e este governo nos tratam da saude, vindo do Sr Vitor ramalho que já foi secretário de estado ou ainda é, era de facto uma coisa do outro mundo, porque os senhores do PS têm umas “palas”. Está tudo uma grande… mas eles dizem sempre que tudo vai como nunca;ah vai vai!De mal a pior!
Consequências de uma maioria que eu ajudei a construír…
Jamais senhores do poder! Maiorias? Comigo não!

6 05 2008
CN

Que a voz não te doa!

7 05 2008
Vítor Ramalho

Caro Zulmiro Almeida

Se tivesse seguido o link para o meu blogue veria que não se trata da mesma pessoa.
Sou socialista mas nada tenho a ver com a esquerda ou a direita que considero as cabeças da mesma besta peçonhenta chamada capitalismo.

7 05 2008
Miguel

Paulo,

Adorei este post. Moro na Bélgica e aqui se existe uma lista de espera de 3 semanas é já um escândalo. Quando vou a Portugal e tenho de me dirigir a um hospital (e já aconteceu várias vezes), nego a minha nacionalidade Portuguesa e digo que sou Belga, aí sim, sou bem tratado. O problema é tão fácil de resolver!

Aqui todos os médicos são privados e o governo limita o preço máximo a ser cobrado por consulta. Num médico de família são € 21,50 e num especialista entre € 40,00 e € 65,00. Não esquecendo que o Estado comparticipa entre 80% e 90% dos custos. Portugal está entregue à bicharada. Vim para a Bélgica em 1993 para dar à minha família o que não conseguiria dar aí: bons cuidados médicos a preços razoáveis. Gostava de dar um exemplo. O meu filho que na altura tinha 7 anos, precisou de fazer uma operação ao olho esquerdo pois estava todo virado para dentro. AO pensar nas listas de espera e nas consultas oftalmológicas, liguei para marcar uma consulta. Mandaram-me ir no dia seguinte às 15:30. Lá fui e a oftalmologista disse-me que que o Thomas precisava de ser operado. Com medo da resposta perguntei quando seria e ela disse-me que seria possível daí a DOIS DIAS no hospital da cidade. Paguel € 40,00 pela consulta que reavi na totalidade e a operação foi gratuita. Preciso de dizer mais?

7 05 2008
Operação aos olhos em Portugal « Miguel’s Weblog

[…] Maio, 2008 por Miguel Hoje deparei com este post do Paulo Carvalho. Os meus parabéns. Subscrevo o seu post na […]

7 05 2008
Jorge Almeida Bernardo

Reproduzo tal e qual como recebi pela internet:

Já entenderam bem, porque é que existem listas de espera?

Em 6 dias um médico espanhol operou tanto como 5 !!! médicos num ano e
por metade do preço cobrado na privada.

Em seis dias, um oftalmologista espanhol realizou 234 cirurgias a
doentes com cataratas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no
Barreiro, num processo que está a “indignar” a Ordem dos Médicos. Os
preços praticados são altamente concorrenciais, tendo sido esta a
solução encontrada pelo hospital para combater a lista de espera. O
paciente mais antigo já aguardava desde Janeiro de 2007, tendo
ultrapassado o prazo limite de espera de uma cirurgia. No ano passado
chegaram a existir 616 novas propostas cirúrgicas em espera naquela
unidade de saúde. Os sete especialistas do serviço realizaram apenas
359 operações em 2007 (cerca de 50 por médico num ano). No final do
ano passado, a lista de espera era de 384, e foi entretanto reduzida a
50 com a intervenção do médico espanhol.

A passagem pelo Barreiro durante o mês de Março – onde garante
regressar nos próximos dois anos, embora o hospital não confirme – foi
a segunda experiência em Portugal do oftalmologista José Antonio Lillo
Bravo, detentor de duas clínicas na Extremadura espanhola – em Dom
Benito (Badajoz) e Mérida. Entre 2000 e 2003 já havia realizado 1500
operações no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, indiferente às
“críticas” de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses. “Eu
percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão
grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca
de dois mil euros”, diz ao DN o oftalmologista espanhol, inscrito na
Ordem dos Médicos portuguesa, que cobrou 900 euros por cada operação
realizada no Barreiro.

As 234 cirurgias realizadas no Barreiro, por um total de 210 mil
euros, foi o limite possível sem haver necessidade de abrir concurso
público internacional, sendo que o médico fez deslocar a sua equipa e
ainda o microscópio e o facoemulsificador. O hospital disponibilizou
somente um enfermeiro para prestar apoio.

TENHAM VEGONHA, SENHORES “DÓTORES” GOVERNANTES E POLITICOS DA NOSSA PRAÇA!!!

8 05 2008
raiva

Não posso deixar de ficar com RAIVA mas mesmo muita RAIVA!!!!!
Efectivamente este país tem os seus quês de primitivo e aparentemente, um deles é a forma como é tratada a informação, sendo outro a muito frequente mania de opinar sobre aquilo que não se conhece, não é caro Paulo…
Pertencendo eu à tão malfadada classe médica, e estando pois habituada ao meio ambiente de um bloco operatório, permito-me colocar-lhe as seguintes questões:
-quanto tempo levaria o Paulo a desinfectar-se, vestir uma bata e luvas esterilizadas e preparar uma mesa cirúgica?
-quanto tempo levaria o Paulo a realizar uma Faco emulsificação da catarata (procedimento rotineiro nos blocos operatórios do nosso país, por sinal, e não exclusivo de nuestros irmanos)?
-quanto tempo levaria o Paulo a, finda a cirurgia, retitar o campo (pano eterilizado que cobre o doente durante a cirurgia) ao doente (campo esse que deverá cobrir o nariz do doente – fonte major de infecções, que tão soberbamente se apresenta ao relento na fotografia publicada na revista Visão) e a colocar-lhe o penso oftálmico?
-quanto tempo levaria o Paulo a retirar o doente da sala (não vale chutar, claro), desinfectar a mesma, trocar os lençóis da marquesa cirúrgica de forma a que se possa, então sim reiniciar o processo com outro doente
– ah, já me esquecia, convém tira a bata e as luvas que foram usadas na primeira cirurgia… Mais um minuto…. Mas quem é que está a contar?

Pois é caro Paulo, é que os muitos anos de estudo aos quais somos submetidos não nos preparam, como parece julgar, para ser fábricas de dinheiro sem consciência que recebem 900 euros por catarata (valor pago ao nuestro irmano).Ao invés, operamos o que pudemos no escasso tempo de bloco operatório que nos é facultado por semana (que obviamente não é o que foi proporcionado ao nuestro irmano), tratamos os nossos doentes o melhor que pudemos com os meios que nos são fornecidos (que, caso não saiba diferem bastante no meio hospitalar público e nas clínicas privadas) e tudo isto sem pedir que nos paguem mais dinheiro no fim do mês (devo dizer-lhe que o nosso ordenado corresponde a cerca de 2 cataratas espanholas…. Faça as contas!!!
Mais lhe digo, caro Paulo: será que agora vão mandar os doentes operados pelo nosso amigo para Cuba para que lhes seja feito um seguimento pós-operatório adequado (que inclui consultas regulares ao longo de cerca de 6 meses?)?
Por tudo isto, caro Paulo, pense antes de ter tanta RAIVA!
PS: se tiver algum familiar mais idoso com cataratas terei todo o gosto em facultar-lhe uma rápida inscrição na lista de espera de nuestro coleguita.

9 05 2008
Manuel figueiredo

Pois é!Mas,continuam a votar ou no PSD ou no PS e,não há mais ofertas no mercado?Claro que há!Mas,votando no vampiro ele só nos vai chupar mais o sangue e,não é por fantasiarmos que ele é um carneirinho que vá mudar o que sempre fez:chupar o sangue!

10 05 2008
Pinto

Grande texto Paulo. É a primeira vez que acedo a este sítio, mas como pricipiante fiquei fascinado com a riqueza da linguagem e, claro, com o conteúdo bravíisimo.

Abraço

10 05 2008
Ana Pena

NÃO RESISTE A DEIXAR OS MEUS PARABÉNS!
ACREDITO QUE O NOJO QUE SENTIU NÃO TEVE A VER COM O SANGUE DA OPERAÇÃO, MAS COM O SANGUE QUE LHE E NOS CORRE NAS VEIAS E FAZ REVOLTAR CONTRA ESTE “PAÍS” ONDE SÃO PERMITIDAS TÃO GRANDES INJUSTIÇAS.
ONDE ESTÃO OS PORTUGUESES LUTADORES QUE FIZERAM UMA REVOLUÇÃO SEM SANGUE?
JÁ NEM PERGUNTO ONDE ESTÃO OS QUE LUTARAM CONTRA O ADAMASTOR? SERÁ QUE NINGUÉM SE IMPORTA COM NADA, SÓ INTERESSAM AS APARÊNCIAS, O PRIMEIRO EU, DEPOIS EU E MAIS EU….
NUNCA FOI ESTE O MUNDO, O PAÍS, ONDE SONHEI CRIAR OS MEUS FILHOS, UM FILHO QUE SE REVOLTA E DEIXA SAIR FRASES CONTRA INDIVIDUOS DA NOSSA SOCIEDADE QUE ADQUIREM GRATUITAMENTE SERINGAS PARA SE INJECTAREM, QUANDO POR OUTRO LADO NÓS TEMOS DE PAGAR AS QUE A IRMÃ NECESSITA DIARIAMENTE PARA INJECTAR, VÁRIAS VEZES POR DIA,INSULINA PARA VIVER.
SERÁ JUSTO EU REPREENDER O MEU FLHO DE 20ANOS E LEMBRÁ-LO QUE NÃO É ISSO QUE LHE ENSINO?
PEGANDO NAS SUAS PALAVRAS TALVEZ SEJA SÓ MAIS UM DIA DE RAIVA!
ESPERO QUE CONTINUE, AINDA BEM QUE EXISTEM PESSOAS QUE TEM DIAS DE RAIVA.
UM ABRAÇO

11 05 2008
pjrcarvalho70

Ao Sr. Doutor que comentou acima:

Antes de mais felicito-o pela elevação com que exerceu o seu direito de contraditório; opiniões como a sua, são sempre bem vindas ao meu espaço.
Deixe-me dizer-lhe que até concordo consigo quando refere que é moda neste país qualquer um alvitrar sobre o que lhe dá na gana sem conhecimento de causa; e eu que o diga, pois sou professor e tenho as minhas costas cheias de chagas provocados por um punhado de bandalhos, por vezes, pagos para maldizer e opinar sobre aquilo que estão longe de saber.
Contudo, caro Doutor, muito daquilo que eu digo mais não é que a reprodução do que foi dito na reportagem em questão, até mesmo os tais 8 minutos da operação que, em abono da verdade, e depois das suas explicações, reconheço serem impossíveis de praticar.
Mas o problema é que os oito ou vinte ou uma hora que seja que demore a cirurgia, jamais disfarçarão o problema de fundo a que me refiro e daí não arredo uma virgula; obviamente que há as excepções que confirmam a regra, isto é, haverá médicos conscienciosos que se entregam de alma, e sobretudo de coração, aos cuidados dos utentes do SNS e em que o maná dos consultórios privados não lhes ofusca o sentido cívico e deontológico; até acredito que V. Exa. seja um deles, mas jamais me conseguirá desmentir este conluio vergonhoso entre a vossa classe e os políticos, pois os factos provam-no, como por exemplo um testemunho que ouvi logo no dia seguinte de um colega vosso espanhol que lhe viu sonegado o reconhecimento por parte da vossa ordem, e tudo porque era um dos tais que produzia mais numa semana do que meia dúzia de médicos portugueses num mês.
Desculpe que lhe diga, mas perante os factos expostos naquela reportagem, toda a classe médica portuguesa se devia sentir envergonhada; contudo, receio bem não; receio que continuem a fazer-se pagar por meia hora de trabalho, aquilo que muitos desgraçados ganham numa semana de labuta.
Mas com a crise que está instalada tenho esperançaa de um dia destes ver escrito por aí numa porta de consultório: PROMOÇÃO: pague uma consulta e leve duas.

Passo a piada, para lhe dizer claramente que se eu fosse governo, apenas fazia uma simples medida que acabava com todo este regabofe: os Srs Drs, optavam por uma das vias: ou apenas privado, ou apenas público:O Sr. Dr. iria ver as listas de espera desaparecerem num ápice. No entanto, estejam descansados, pois isso apenas acontecerá quando VOCÊS quiserem e não os palhaços dos políticos.

Paulo Carvalho

12 05 2008
Rui figueiredo

Só a pagar é que consigo encontrar um médico que faça de contas que me quer tirar esta náusea permanente provocada pelos dejectos intelectuais que nos desgovernam e nos desventram a saúde física e mental. Um abraço limpo neste país em progressiva putrefacção da qual procuramos fugir, mas não conseguimos.

12 05 2008
Molhobico

Eu comungo das mesmas afrontações do sistema de saúde (saúde somente para designar o sistema) porque o sistema é muito mais de doença que do resto. Doença de quem tem que ir aos hospitais e doença (ganância euróbica) dos médicos deste País. Eu, por exemplo, fui ao médico em janeiro, foi requisitada uma biópsia e o hospital enviou-me agora um postal a marcar para o dia 7 de Outubro. será que esta gente faz parte do sistema de saúde ou pertence ao CAC (Clube Associativo dos Cangalheiros)?

15 05 2008
Fulcanelli

Infelizmente, somos um povo de “brandos” costumes e ninguém se revolta com estas notícias que a cada dia nos levam a desejar emigrar para outro sítio qualquer.
Por vezes ( e isto não é ficção científica) até parece que a TV e a Rádio emitem mensagens subliminares para nos manterem calmos e ordeiros, ou então, parece que deitam algum produto na água que bebemos para ficarmos “anestesiados” …..
Não se compreende tanta passividade e conformismo.
Se alguém com projecção pública e uma imagem credível ousasse tomar a iniciativa e dissesse, BASTA !, pode ser que as pessoas se juntassem e iniciassem alguma coisa significativa.
Até lá, que fiquem estes espaços como o seu, Paulo, para que pelo menos possamos sentir que não estamos todos “adormecidos”.
Parabéns e continue alerta.

15 05 2008
albano de almeida

Politicos sejam da esquerda ou da direita ou chamem-lhes o que quiserem, meus amigos? Sou português e jamais terei repugna ou com qualquer outro adjetivo deixarei de o ser.
Não sou doutor, tenho o 10º ano escolar, com alguma cultura por muito lermuito, e da-me vontade de perguntar a todos vós “porquê, tanta raiva e revolta de se ser português?” por ventura já pensaram que podem lutar pelos vossos ideais, sejam eles politios ou não, “A união faz a força”, aprendam como outros europeus se unem na revolta, lutando pelos ideais, não esperem que os governos sejam eles quais forem, da esquerda ou da direita nos dêem seja o que for eles não estão lá para dar mas sim para organizar, cobrar eviverem à conta do povo.
Por isso meus amigos?, tenho orgulho de ser português porque sempre fui à luta pela vida para poder sustentar a minha vida.
haveria tanto para falar.
Não esqueçam, é preciso organizar, unir e lutar, os meios talvêz não tenham grande interesse para vencer.
PORTUGÊS SEMPRE.

15 05 2008
pjrcarvalho70

Caro Albano:
Eu não sou daquelas pessoas patrióticas só porque sim, porque é moda e politicamente correcto dizer.
Eu sou pragmático e se tive a sorte ou o azar de nascer tuga, o meu grau de patriotismo é proporcional àquilo que o país me dá e me faz sentir enquanto cidadão; nessa perspectiva, louvo-lhe a teimosia de gostar de ser português, mas eu apenas o direi, com todo o gosto, quando vir o meu país ser conduzido por pessoas decentes, que preconizem medidas justas e, sobretudo, mesmo perante conjunturas económicas difíceis, consigam passar para o cidadão a ideia de que são isentos e de que tomam decisões que, boas ou más, sejam igualmente sentidas por todos, repito POR TODOS.
Mas contua a enojar-me severamente esta política selvaticamente liberal e capitalista, completamente esventrada de justiça social. Esta venda do país a meia dúzia de famílias para colocar todo o povo ao seu serviço provoca-me vómitos. Este país que gasta meio orçamento em TGVs, aeroportos e estádios moribundos e deixa morrer ou sofrer cidadãos por falta de assistência médica, soa-me a asqueroso. Este país que não deixa um desgraçado trabalhador ganhar mais de 400 euros por mês e paga reformas de muitos milhares de euros a pessoas, nomeadamente políticos, que por vezes ainda estão no activo, cheira-me a um Estado em decomposição.

Se isto é ter orgulho em ser português… eu quero ser espanhol!!!

Cumprimentos
Paulo Carvalho

20 05 2008
Joaquim Guaparrão

Pois é, caro Paulo Carvalho, é o País que temos e aquilo que merecemos.
Num País onde nada acontece aos pedófilos, corruptos, assassinos, vigaristas, aldrabões e outras coisas mais. Esta escumalha politica, que se orienta à força toda, com reformas fabulosas em pouco tempo, onde os filhos , irmãos , tios sobrinhos e restante família comem todos do mesmo saco. Os presidentes, quando acabam o mandato, ficam com os mesmos previlégios, carro, gabinete, reforma, todas as mordomias etc.etc. E esta gentinha só lá está porque votaram neles.
Quando é que os Portugueses, abrem os olhos e começam a perceber que isto é um problema do sistema republicano corrupto, caduco sem soluções e de interesses instalados. Isto só pode mudar com uma revolução e não deve demorar muito, com a fome, miséria, degradação social em que se vive só pode ter este desfecho.
Joaquim Guaparrão

21 05 2008
pjrcarvalho70

Meu caro Joaquim: excelente comentário: É exactamente isso que eu penso; eu acho que Portugal está a passos largos a caminhar para uma espécie de novo PREC, pois alguém tem de se decidir a começar uma batalha social que acabe de uma vez por todas com esta miséria!

Mas de tudo o que disse, o que mais concordo é mesmo a sua primeira frase; eu já postei neste blogue justamente com esse título: Há um masoquismo crónico em Portugal; as pessoas vivem asfixiadas pelos políticos e aplaudem-nos e votam neles, portanto, e como já disse, este(s) governos(s) acenta(m) em Portugal que nem uma luva!

Um abraço
PC

21 05 2008
Joaquim Guaparrão

A república é isto mesmo
Do que tem para nos dar
Fome miséria e mentira
E cursos de enganar

É esta “gente” medonha
Que temos de nos livrar
Dos asnos de duas patas
Os de quatro podem ficar

Eles são todos doutores
Andam todos de gravata
engenheiros e deputados
como burros à arreata

Outros há, que usam aventais
Para que pareçam diferentes
Dos outros que são iguais
Aos juízes e presidentes

joaquim guaparrão

22 05 2008
ATM

Estou parvo!!!!
Então vão juntar fundir o 1º Ciclo e o 2º Ciclo do Básico!
Uma maravilha!
Onde eram precisos 8 professores vão chegar 4 professores!
Aqui esfrega-se as mãos … mandamos 4 profs holigans para o desemprego!
Mais … é preciso tomar conta dos meninos desde que os cotas se levam para a escola e até às 9 horas!
Depois ficar com os mesmos depois das 17.30 horas até os cotas os virem buscar!
Se não se esquecerem!
E OS PROFS SÃO MISSIONÁRIOS
E FREIRAS QUE NÃO TÊM FILHOS!
E se os tiverem que os lancem aos peixes…
quem disse isso aos retornados de África ?!
Se calhar já se esqueceram quem foi!
O POVO É DE MEMÓRIA CURTA!
Depois lixamos os ATLS da IPSS !
É massa que fica do lado de cá!
As AECs vão ser um sucesso
Mesmo que os monitores mandados pelas Câmaras e
autarquias venham dos baldas da Escolaridade obrigatória,
dos CEFs,
dos familiares dos autarcas e do partido das autarquias!
E os Profs holigans que se lixem!
Mais ainda os alunos baldas,
vandálicos dos CEFs
e Alternativos vão receber o
ordenado mínimo
e já vão ter dinheiro para droga,
tabaco,
bebidas brancas,
armas brancas e pretas
e borboletas filipinas
e vão põr os fedelhos nos eixos!
Entretanto os meninos da creche e infantários estão à porta à espera
e vão ser uma Casa Pia em 2ª edição corrigida e aumentada!
UMA MARAVILHA!
Só é pena que não há logística!
As escolas dos centenários de Salazar, as Estações da CP ao abandono não merecem
recuperaçao porque enganamos a malta com as escolas do 25 de Abril de lusalite
que são baratas, dão milhões e serão excelentes antecâmaras dos IPOs.
Miséria das misérias!
Senhores José Saramago,
Hermano Saraiva,
Baptista Bastos,
J.Letria,
Bispo D. Carlos Azevedo!
Digam alguma coisa!!!

24 05 2008
Conceição

Não posso deixar de manifestar a minha raiva, indignação e outros sentimentos que já não sei exprimir por palavras. Relativamente às listas de espera em oftalmologia estão rapidamente a resolver o problema. Sabem como? simplesmente anulando-as.Isto é, a minha Mãe tinha uma operação a uma catarata marcada num hospital público, fez todos os exames requeridos, foi à consulta de anestesia, marcou-se a operação e, na consulta pré-operatória o médico disse que ia desmarcar a operação pois com a idade da minha Mãe “vivia-se muito bem com um só olho”. Claro que já apresentei queixa para as entidades competentes, e decidi que a operação fosse realizada num hospital privado. Aí, a operação correu muito bem, havendo recuperação total da visão, só que paguei 2500 euros mais as consultas, num total de quase 3000 euros. Como vivo do meu ordenado e a pensão da munha Mãe é baixa, tive que fazer u m empréstimo bancário. É assim que vai este país!!!

28 05 2008
Carlos Romero

Se em Portugal a situação é assim tão precária, aqui, no Brasil, o quadro é ainda mais caótico, quando o assunto é tratamento e atendimento médico-hospitalar.

Impostos e mais impostos são retirados dos bolsos dos contribuintes sob a falsa justificativa de que servirão para melhorias na área da saúde. E o que temos visto, entretanto, é um sistema cada dia mais decrépito, e os doentes entregues a seu próprio destino.

Lamentável para nós todos, de ambos os lados do Atlântico.

16 06 2008
elianafeo

E eu, com complexo de culpa por utilizar o sistema público de saúde porque pago um plano de assistência médica, encontro no melhor Hospital do Brasil (Da Escola Paulista de Medicina) um patrício de Lisboa satisfeito com o tratamento gratuito recebido e nem um pouco preocupado com o povo brasileiro. Ou seja, os paradoxos não são só portugueses.

3 01 2009
Alfredo Barata

Não me admira 5 a 8 anos para tirar uma catarata.
Eu sou diabetico e queria medir a tensão ocular tenho uma credencial
nun dos hospitais e diseram-me que ia demorar aproximadamente (1) UM ano
Cumprimentos
a. barata

26 06 2009
GBarbara

Belo texto que traduz a realidade… e que realidade!
Sobre “aquele” de Faro que falou para a reportagem, não queiram conhecê-lo, o meu pai ficou cego de um olho nas suas mãos. Um descolamento de retina não é para ser tratado por carniceiros, arrogantes e prepotentes. Foi uma das piores experiências da minha vida a conversa tida, antes da cirurgia, com o referido médico de Faro que operou o meu pai. Quando ele se formou não exigiam a nota 19 para entrar em medicina, aliás, quem veio das ex-colónias teve um tratamento especial no ingresso académico e profissional, para além do que sabem fazer terem aprendido à custa dos doentes.

Há pessoas muito despreziveis nesta classe profissional!

17 07 2009
Nuno

Eu gostei muito dessa reportagem agora gostava de saber onde posso rever essa reportagem. Alguém sabe onde posso encontrar?

21 07 2009
pjrcarvalho70

Peça à própria TVI. Porque não tentar?
Cumps

16 02 2012
Filipe

Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, a médica Drª Ana Paula Vidal. Ela conduzia o seu Audi A6 quando se despistou numa perigosa curva da serra da Arrábida, em Azeitão. Era a única ocupante do veículo e teve morte imediata. Ao Dr. Helder Fráguas, as mais sentidas condolências.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/despiste-brutal-mata-medica

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