CADA POVO TEM O QUE MERECE!!!

21 04 2008

Subscrevo este sinal, apesar de nunca ter votado PS; mas desta vez não só não vou votar PS como vou votar CONTRA o PS; aliás todos os portugueses deviam ter vergonha na cara e enxergarem um pouquinho à frente do nariz, pois à custa dos seus votos, comprados por um punhado de promessas que não passam de mentiras chapadas, continuam a vaguear na passerelle sempre as mesmas caras, sempre os mesmos cadáveres políticos.

 

O zé povinho tuga tem a memória muito curta e não se coíbe em idolatrar gente que, apenas porque Deus lhe deu uns dotes vocais que espicaçam a populaça, conseguem iludir os papalvos prometendo-lhes mel e dando-lhes fel. 

Expliquem-me, como se eu fosse muito burro, como é possível as pessoas serem desde há vários anos espezinhadas pelos políticos, a sua vida a andar para trás todos os dias, apesar desta fachada social em que vivemos, parecendo todos ricos, mas que na realidade somos de uma pobreza geral confrangedora, e na hora da verdade, na hora de julgar quem esteve no poder, parece que este povo ostenta orgulhosamente aquela expressão «quanto mais me bates mais eu gosto de ti» e, de duas uma, ou premeiam quem lá esteve, ou fazem lá voltar quem lá esteve anteriormente. É assim há décadas e parece-me que esta triste e incompreensível sina se vai manter.

Expliquem-me como se eu fosse muito burro, como é que o zé povo teima em perpetuar na sanguessuguisse política pessoas comprovadamente corruptas que se servem do Estado e não o oposto, que mandam apertar o cinto e auferem salários inacreditáveis, pagos pelos nossos impostos e num acto heróico demitem-se quando algo corre mal mas a ausência temporária apenas serve para darem um giro pelas cadeiras dos conselhos de administração de grandes empresas para, à sombra de salários ainda maiores, poderem calmamente reflectir sobre as borradas que fizeram e sobre as que farão quando o Zé povo os fizer voltar.

Estou neste preciso momento a ver um debate na RTP sobre o pantanal em que anda o PSD que se diz o maior partido da oposição e que já foi várias vezes governo; pois quem são as caras? Quem são? Sempre as mesmas. Sinceramente, estou-me nas tintas para a crise do PSD, agora preocupa-me na perspectiva que são vitórias sucessivas de José Sócrates que a seu bel-prazer, por detrás daquela carapaça de indiferença, vai enriquecendo uns poucos e dando cabo da vida a muitos.

Há uns dias, no meio de cem mil, confesso que senti um cheirinho de consolação e nos dias que se seguiram reparei que toda uma classe (finalmente unida) lutava pela sua dignidade e pelos seus legítimos direitos. Pois passado pouco tempo dou com um cenário de cachimbo da paz, com apertos de mão à mistura e com os nossos alegados representantes a cantarem vitória, quando afinal NADA de fundo e concreto conseguiram; adiaram o inevitável, mantendo-se todas as aberrações ministeriais.

Tudo isto faz da minha cabeça um turbilhão cuja reacção é esta desilusão que há muito proclamo enquanto professor, mas sobretudo enquanto cidadão; muito mais que os políticos, desilude-me este masoquismo social; o país está gravemente doente, todos os sectores estão de rastos, a crise internacional quando entra em Vilar Formoso sofre um processo de multiplicação brutal e aqui vivemos todos contentes neste vale de lágrimas a bater palmas aos políticos.

Por sentir que eu e muita gente vamos nadando contra uma maré que além de avassaladora é cada vez mais negra, e contra a qual parece nada haver a fazer, lanço aqui um apelo e com ele me calarei:

Das poucas coisas democráticas que ainda restam em Portugal, uma delas é que só é Governo quem o povo quiser. Façam uma análise aos últimos, vá lá, vinte anos e quando estiverem atrás do biombo nas próximas legislativas, lembrem-se disso. Olhem que no papel devem estar mais de uma dezena de partidos que nunca lhes foi dada oportunidade de provarem o que valem e ainda há a abstenção.

Não, não estou em campanha! A minha campanha é, e sempre será, contra as carcaças do sistema que se revezam por conveniência, governam por conveniência, legislam por conveniência, enfim, existem por conveniência.

Receio, no entanto, que as sondagens estarão mais uma vez certas e daqui por dez anos direi ainda com mais veemência: CADA POVO TEM OS GOVERNANTES QUE MERECE!

Não acreditam?

Vejam:  http://paulocarvalhoeducacao.files.wordpress.com/2008/04/finlandia.pdf

 
Paulo Carvalho
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13 responses

22 04 2008
Ana Lima

Não voto PS nem voto em partido nenhum. Votarei só em referendos! Enquanto os políticos deste país não forem responsabilizados por aquilo que dizem e prometem em campanha eleitoral, nunca mais votarei. Perdi completamente a confiança na classe política. Não é só o PS, são TODOS os partidos sem excepção. Irei votar em branco, e se a percentagem de votos em branco for muito grande, talvez eles comecem a perceber que não têm legitimidade para governar. A abstenção é sempre associada a falta de interesse e motivação porque, segundo os políticos, o “povinho” é ignorante e comodista e prefere ir para a praia em vez de exercer o seu poder de voto.

22 04 2008
Ana Lima

Só quero acrescentar que estou inteiramente de acordo com o seu comentário.
Também estou desiludidíssima quanto ao desenrolar das negociações com ME. Todos unidos para quê? Para os sindicatos se aproveitarem e negociarem o que entenderam fazendo de nós moeda de troca. De concreto nada conseguiram!NADA!!!

22 04 2008
Vítor Ramalho

Eu não vejo nada de democrático no nosso pais.
Até as eleições são uma farsa da partidocracia.
Por isso nem vou entrar em comemorações. Sonho sim com a revolução do dia 26 de Abril para que possamos juntar o melhor do 24 e do 25.

22 04 2008
Tiago Carneiro

Caro Paulo

Como sempre um excelente artigo.

Vou copiar partes dele e divulgar tb no meu blog. Com a citação devida.

Abraço
Tiago

22 04 2008
setora

Ó Ana Lima, em branco não. Nunca vote branco que o branco pode depressa sujar-se. Anule, comente, escreva um poema ou uma frase sábia, em branco jamais (jamé) como disse o outro senhor.Também pode ir, nesse dia de eleições, fazer aquela passeata que anda há tanto tempo a adiar.

22 04 2008
Cristina

Estão a falar do Passos Coelho para a liderança do PSD. Fui ver o que este senhor andava a dizer. Para ver se havia algo de novo. Afinal trata-se de mais um neo-liberal.

Mais do mesmo, leiam e tirem as vossas conclusões: defende a privatização da saúde, da educação e da segurança social. De tudo menos da justiça e da segurança.

Não ao PSD, Não ao PS enquanto não mudarem de discurso! Nunca fui comunista na vida nem concordo com eles em muitas coisas, mas vou votar neles. Estes lacaios dos grandes interesses económicos têm de apanhar um susto.

«Passos Coelho defende gestão privada dos serviços públicos Pedro Passos Coelho foi o convidado da III Conferência Municipal “Perspectiva da Gestão Privada das Utilities – Serviços de Utilidade Pública, no contexto dos poderes públicos municipais”, promovida pelos deputados municipais de Santarém do PSD.

Pedro Passos Coelho, administrador de duas empresas do sector dos resíduos, acusou o Estado de “fazer batota” na privatização de serviços que até aqui eram monopólios estatais. Passos Coelho apontou também o caso da privatização dos notários, em resposta, “eficiente”, a um problema do mercado, mas que depois alterou as regras , nomeadamente abandonando a obrigatoriedade de determinados procedimentos. Segundo Passos Coelho, esta situação contrasta com a “facilidade” com que o Estado se disponibiliza a indemnizar a Lusoponte caso seja construída uma nova ponte sobre o Tejo, lamentando que, tendo mudado as regras, não haja a mesma postura para com os notários.

Pedro Passos Coelho, que foi dirigente da JSD e deputado durante 8 anos, é “contra a ideia de que compete ao Estado resolver todos os problemas aos cidadãos”, preferindo antes o “princípio da responsabilidade individual”. Defende que “o Estado deve garantir apenas uma justiça com equidade e a segurança das populações. Numa segunda linha, refere as áreas da saúde, educação e segurança social, que embora devam ser asseguradas pelo Estado, devem perder o princípio da “universalidade” e progressivamente ser privatizadas. Sem receio de ser apontado como “perigoso liberalista”, Passos Coelho acabou por receber a concordância geral da assistência, constituída maioritariamente por autarcas do PSD.»

22 04 2008
Vera C.S.Castanheira Nunes

Pois é, Paulo. Já Antero de Quental e Aquilino Ribeiro diziam o mesmo. Para não falar do meu Pai, que foi e é um antifascista militante.E também um homem culto e inteligente.
Infelizmente, a instrução cada vez menos vem ligada à cultura ou à educação e muito menos à consciência política ou de classe. A pequena burguesia em ascensão é cada vez mais menos. A não ser em número e na tacanhês de espírito.
Nunca votei P.S. (bem, engoli sapos e grandes, quando votei Mário Soares versus Freitas do Amaral ). Mas o P.S. não é só esse bando de ” socialistas ” que nos desgovernam e que vão enchendo o papo, para outros dias, à nossa custa. Devemos ser ainda crédulos ou confiantes. O meu terror, eu que voto sempre nos que “lá” não chegarão, é que todos os que ao poder cheguem, se tornem em vilões -ou não é? se queres conhecer um vilão, põe-lhe um pau na mão (versão soft ).
De qualquer modo,amargura e desilusão só de passagem. E atrás dos tempos outros tempos chegarão. Não, eles que se julgam os vampiros de hoje, vão sugar bastante mais tempo, sem dúvida, como sem dúvida o povo, este povo a que pertencemos, os deixará lá ainda, porque a memória é curta e a inteligência é mais tipo esperteza saloia/burgessa. Mas o dia chegará, chegará sim, e eles não passarão.

Um abraço

22 04 2008
Maria José

Estou totalmente de acordo com o seu texto.
Este país é cada vez mais uma republica das bananas. A lei que vigora é a do esperto saloio.
O sindicato é a mesma treta, enquanto não conseguiu um lugar ao lado da Ministra da Educação não descansou. O mais triste é que fomos nós, 100 000, que o consegui para eles, não volto a participar em actividades ligados ao Sindicato.
Os sindicatos devem pensar que somos uma cambada de ignorantes, Que Vitória Conseguiram? Eu ainda não soube de qualquer alteração ao processo de avaliação, continuam as mesmas grelhas, a mesma burocracia, agravou-se o fosso entre professores e professores titulares. Que raio de vitória é esta? Claro, já percebi, consueguiram um lugar ao Sol. Que miséria.
Concordo, nas próximas eleições os Portugueses deviam dar uma lição ao “politiqueiros”. Não interessam, então que desapareçam esses parasitas.
A desilusão é enorme.

22 04 2008
arturcarvalho

Não votei, não voto e nunca votarei PS. O meu sogro chamava-os de “Chuchalistas” e bem sabia porquê. Mas Ana Lima, não votar é votar a favor deles. É nas eleições que temos a oportunidade de mostrar o nosso descontentamento e não votar é desperdiçar a oportunidade mais soberana desta já frágil democracia. Faça um favor a si própria e vote, nem que seja em branco. Cada voto em branco (nunca nulo) é um voto contra qualquer político.
Paulo mais uma vez a tua crítica mordaz esteve ao rubro. Qualquer dia o zé povinho de tão mal que o tratas põe-te a cabeça a prémio.
Um grande abraço do teu primo.
arturjorge

23 04 2008
Vera C. S. Castanheira Nunes

Ora bem, foram Sindicatos, não Sindicato. Alguém tem que nos representar. Claro que a expressão ” grande (s) victória(s) , já não convence ninguém. Mas a desistência, o ficar de fora, não é decerto -na minha opinião-, a melhor das soluções. Ou sinceramente acham que um grupo sem representação oficial será ouvido/recebido, etc, etc, etc, pelo poder vigente?… Sabemos, melhor ou pior, reclamar, revoltarmo-nos em palavras, mas sabemos também perfeitamente que a nossa acção revolucionária, em geral, não vai mais longe.
E quanto ao voto, claro que vamos votar. Então as mulheres que só puderam votar -como mulheres – depois do 25 de Abril, seria quase obsceno não votarem.
Antes de me ir embora, o Artur Jorge tem toda a razão, ainda por cima, há quem morda pela calada. E a dentada humana é sempre venenosa.
Ah, desculpem, 25 de Abril- como o desejo e quero- Sempre !.
Vera

27 04 2008
Tb Professora

Não vale a pena dizer que este texto está optimo! É do estilo dos que tenho lido, escritos pelo Paulo: realista e directo.
Mas nós esquecemos rapidamente, iludimo-nos com mais facilidade e não somos como o povo da Finlandia, educado para o bem da sociedade.
Se até agora a minha filosofia era a de ir às urnas anular o meu voto, agora vai ser para conseguir uma oposição mais forte. Eu já não acredito que o voto em branco seja interpretado como uma reacção ao descontentamento e, cada vez mais, receio que o seu aproveitamento seja outro.
Mais uma vez, parabéns pela sua capacidade expositiva, Paulo.

28 04 2008
Cruz

O desânimo campeia por aí. Somos cada vez mais os desiludidos com os políticos, em geral. E temos razões para isso. Ao contrário de alguns, porém, que decidiram alhear-se, pura e simplesmente, das próximas eleições (pelo menos manifestam essa intenção) eu defendo que o voto é uma arma poderosa e deve ser usado com critério. A realidade que nos toca de perto e doi, a nós professores, é a que todos conhecemos, feita de enormidades legislativas e de trapalhadas políticas umas a seguir ás outras, todas dos mesmo autores. Então, o que eu digo é que devemos ir ás urnas, sim, e usar o voto criteriosamente.
Cruz

26 05 2009
antoniomigueles

SÓ UM JUMENTO É QUE QUER ANDAR À RÉDEA DO DONO – PARECE QUE ESTE CAVALHEIRO ANTI-PS NÃO SABE O QUE A DIREITA LHE RESERVA – A PRIVATIZAÇÃO DE TODAS AS EMPRESAS E SERVIÇOS PÚBLICAS – SERÁ QUE FICA SATISFEITO?

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