E… FEZ-SE HISTÓRIA!

9 03 2008

No sábado, dia 8 de Março de 2008, Portugal e o mundo assistiram àquilo que foi um grito de protesto contra o mais cerrado ataque de um governo a uma classe trabalhadora. Portugal e o mundo assistiram à maior manifestação de rua da História do país. Não sei mesmo se haverá algum país no mundo em que mais de dois terços da totalidade dos profissionais de um sector de um país se concentram numa avenida a refutarem a uma só voz a desconcertante política do Governo, neste caso educativa.

Claro que ninguém esperava que por gigantesca que fosse tal manifestação, a Ministra e o Governo recuassem; jamais gente com este grau de prepotência cometeria tal dignidade!

Mas há duas coisas, ou melhor, três, absolutamente inabaláveis e que ninguém pode nunca tirar-nos. Fizemos História, mostrámos uma união de classe nunca vista e causámos impacto na opinião pública! Podem vir os Júdices ou os Rangéis deste país com os impropérios que quiserem que o país não será mais o mesmo depois do que aconteceu! Ninguém acredita que todos os professores, excepto os fundamentalistas partidários, ou seja 140 000 pessoas sejam todas estúpidas e burras e uma senhora mais uma corte de lacaios sejam os iluminados de tudo isto!

Vivam os Professores, viva a Escola Pública, viva a Liberdade!!!

Paulo Carvalho

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8 responses

9 03 2008
Filipe Silva

Partilho da mesma opinião.
Já agora, escrevi um post com uma visão talvez “radical”, mas que gostaria de partilhar contigo, onde confronto uma visão puramente economicista (redução de custos) com a realidade que se vive nas escolas.
Lê aqui: http://e-ventos-tecnologicos.blogspot.com/2008/03/avaliao-dos-professores-substituio-dos_07.html
Cumprimentos,
Filipe Silva.

9 03 2008
arturcarvalho

Não nos encontrámos, dado o grande número de pessoas presentes (por pouco não perdi a minha mulher), mas estive presente e com provas dadas, visita o meu blog. Lê os mails que te mandei e aprecia o anormal do rangel. Só visto

http://artur-carvalho.blogspot.com/

14 03 2008
Ana Gomes

Parabéns Paulo, por tudo o que lhe tenho “ouvido” dizer a este respeito…
Continue, pois raramente temos sido representados por alguém com tanta clareza.
Bom trabalho!!!

16 03 2008
Ambrósio Lopes Vaz

Li o artigo do Miguel Vasconcelos, peço perdão, Himídio Rangel, e lembrei-me dos negros tempos do fascismo, em que apareciam os lambebotas do fascinora Salazar, que, para caçar tachos escreviam nos jornais artigos iguais aquele comentário do lacaio Rangel.Os jornais eram censurados e nos locais de corte, entravam os comentários dos Himidios daquela época.Tenho 76 anos, fiz a minha 4ª classe de adultos em 1958. Como operário lutei ao lado de professores,médicos,engenheiros, advogados,etc. para o derrube do fascismo.Os professores têm uma grande tradição de luta. Eu aínda guardo o jornal nº 1 “o professor” da luta dos professores daquela época.Este professor que respondeu ao provocador, deu-lhe uma grande lição de moral.

16 03 2008
Carlos Ferreira

Sou professor há 24 anos e participei, pela primeira vez, numa manifestação. Participei porque foi ao sábado, participei principalmente porque me senti profundamente ofendido com tudo o que a Ministra e os seus algozes têm dito e feito: temos sido todos tratados pela mesma bitola e se há bons e maus professores, há principalmente péssimos políticos e pouquíssimos que possam chegar a sofríveis, a menos que a Sra. Ministra crie mais um CEF para políticos…

A pretexto de endireitar a classe docente, esta mulher tem feito contas de merceeiro: conta feijões para baixar as taxas de abandono perante a UE e cria os CEF, mas não toca sequer na qualidade dos referenciais de formação que advoga, apesar de eu também considerar que o grosso desses miúdos tem de facto direito a uma segunda oportunidade, mas não desta forma descabida, desorientada e desprovida de qualquer maturação ou reflexão ou até conhecimento de causa… (lecciono também uma turma de CEF, pelo que falo com conhecimento de causa!)

Esta mesma mulher congelou-nos as carreiras durante dois anos e meio, juntamente com o Governo, só para urdir uma forma de poupar dinheiro e de ajudar a baixar o défice à nossa custa, enquanto continuam a ser reformados fulanos da política e da banca com reformas vergonhosas, numa época dita de contenção, para alguns, os cá de baixo!

Participei com orgulho de uma manifestação que uniu tantos professores, classe tradicionalmente desunida, porque muitos se sentiram, certamente tão ofendidos quanto eu, porque em muitos anos nunca tinham sido tão maltratados pelo Ministério como agora e ainda temos de ver aquela cara de sonsa afirmar que não entendemos. Que parte? A do mau ambiente que vai criar nas escolas com estas medidas? ou a do compadrio que vai regressar depois de anos a tentar extingui-lo. Se dantes era através dos famosos horários de gaveta, agora é a prestar vassalagem aos detentores do poder, tendo em vista a diferença que faz no recibo do fim do mês…

Eu, no que me respeita, não me penso vender…

Vou continuar a trabalhar pelos meus alunos e com a ética profissional que sempre norteei a minha actuação em sala de aula. O tempo provará que temos razão e que esta mulher e os seus dois algozes não passam de embsutes.

Parabéns Paulo Carvalho pela coragem e não se cale que eu também não calarei os vitupérios de que temos sido alvo…

Carlos Ferreira

17 03 2008
fatima flores

É porque há professores como o colega….que a ministra e a sua política educativa não passarão!!!1
Só que é professor sabe a realidade que nos rodeia
Parabéns!! E obrigada por nos defender

21 03 2008
Ana Castel-Branco

Caros colegas,

Apesar de não vir muito a propósito do tema que agora nos une (a avaliação e a fragmentação da carreira docente), gostaria de divulgar, de forma ampla, a situação em que se encontram, neste momento, três colegas da escola EB23 de Ouressa, no concelho de Sintra. Certamente que já ouviram falar do caso: a morte de um aluno numa visita de estudo, no ano lectivo transacto. A situação foi a seguinte: para evitar que os alunos do 7º e 8º ano perturbassem os colegas do 9º ano que iriam, nesse dia, fazer um exame, vários docentes organizaram uma visita de dia inteiro a uma quinta pedagógica no Alentejo. Já não era, aliás, a primeira vez que a escola lá ia. A quinta oferecia um pacote de actividades desportivas, ao ar livre, supervisionadas por vários monitores habilitados para o efeito. O pior, no entanto, aconteceu. No decorrer de uma dessas actividades, um aluno tropeçou numa pedra que atravessava uma pequena ribeira, caiu, bateu com a cabeça e, inanimado, dentro de água, acabou por se afogar sem que ninguém se apercebesse. Obviamente que se tratou de uma tragédia que todos lamentamos e que é algo de irreparável mas, daí a criminalizar os professores, vai um passo gigantesco que, só por má-fé, se poderia ter dado. No entanto, estes colegas foram sujeitos a um processo disciplinar instaurado pelo ME que determinou a sua suspensão por três meses, incluindo vencimento, e o averbamento da sua culpa no seu processo individual (com as implicações que tal situação gerará). A culpa? Apenas um procedimento formal em falta: a visita, por ter sido delineada como um plano B para não prejudicar os alunos em exame, não tinha sido aprovada em Conselho Pedagógico, pois nenhuma reunião esteve agendada em data próxima. Acresce que esta visita foi organizada por professores exemplares, altamente competentes e responsáveis, daqueles que vivem para os seus alunos em prejuízo da sua vida pessoal. Como se isso não bastasse, estes docentes estão acusados de homicídio por negligência em processo crime instaurado pela família. Claro que nesse processo pesará, e muito, a decisão do ME. Por isso, a sentença, já nenhum de nós duvida qual será. Peço-vos que divulguem pelos vossos contactos e nos media, se puderem e, já agora, se solidarizem com estes colegas que são dignos do nosso apoio e da nossa consideração, já que a tutela tudo fez para os condenar por antecipação. Uma vergonha, mais uma, a somar a tantas outras que me fazem pensar que isto não é um país mas, antes, uma taberna mal frequentada.

10 04 2008
Analídio Ganhão

Do blog Random Precision

Profissão: Professor

O Tribunal de Portalegre condenou o cidadão António Raposo a 18 meses de prisão com pena suspensa pelo crime de usurpação de funções.

Depois de ouvir ler a sentença – de que não vai recorrer – António Raposo abandonou tranquilamente o Tribunal acompanhado pela mulher e não quis prestar quaisquer declarações.

António Raposo estava acusado de ter falsificado os documentos e diplomas comprovativos das suas habilitações.
Depois, e durante mais de 30 anos, deu aulas na Escola Cristóvão Falcão, em Portalegre, e chegou mesmo a presidir por cinco anos ao próprio conselho executivo.

Durante mais de três décadas este “falso professor” deu tranquilamente as suas aulas, provavelmente a milhares de alunos, sem que ninguém se tivesse preocupado com a forma ou a competência com que o fazia.

Durante todo esse tempo este ilustre professor progrediu normalmente na sua carreira, tal como todos os seus restantes colegas – e sem que ninguém os distinguisse uns dos outros – graças simplesmente aos anos de antiguidade na profissão que todos automaticamente iam somando.

Durante mais de trinta anos nunca ninguém se apercebeu que o Senhor Professor António Raposo não tinha as habilitações ou as qualificações profissionais que se arrogava, pura e simplesmente porque durante todo esse tempo nunca ninguém o avaliou ou sequer se preocupou com a forma ou a competência com que desempenhava a sua profissão.

Senhora ministra: por favor, não desista!

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