Conversa com o Sr Abílio Pereira Carvalho, acerca da exposição de espantalhos em Castro Daire em Maio de 2012

26 05 2012

A pedido do próprio (por motivos de apenas aqui constar o meu primeiro comentário à sua reportagem), aqui publico a totalidade da longa esgrima verbal que mantive, em Maio de 2012, com o Sr Dr Abílio Pereira de Carvalho, acerca de uma reportagem que realizou sobre a exposição de espantalhos no jardim de Castro Daire, pelos alunos da EB 2,3 de Castro Daire.

Exmo. Sr.  Abílio Carvalho:

Vou aqui exercer o meu direito ao contraditório, relativamente ao que V. Exa vociferou nas suas incursões pelo «youtube» e respeitantes à exposição de espantalhos (palhaços no seu léxico) que está patente no Jardim da vila e que faz parte do plano anual de atividades do departamento de expressão artística desta escola.

Antes de mais, quero que fique bem claro que é uma reação estritamente pessoal e não vincula de forma alguma as posições de qualquer colega meu ou, muito menos, da gestão do Agrupamento de Escolas de Castro Daire. Sou um homem livre e isto é um exercício de liberdade, tal como V. Exa o fez nas suas reportagens.

Começo por lhe dizer que a sua atitude revela um provincianismo arcaico que tresanda a estado novo. Como pode V. Exa., sequer, atribuir a uma simples exposição de figuras feitas com materiais reciclados, numa atividade escolar de expressão plástica, motivo para fazer tão vil reportagem? Na escola da palhaçada, ensina-se de tudo, Sr. Abílio, inclusivamente expressão artística, em que o sentido estético pode ser educado através de instalações com materiais reciclados. Também se ensina Língua Portuguesa, Matemática, História e muitas outras coisas, nomeadamente, regras de civismo, tolerância e respeito pelos outros, conceitos que V. Exa resolveu ignorar na sua crónica de mal-dizer!

Você tem toda a razão quando diz que a Educação é uma palhaçada. Para mim também é, mas sabe porquê? Porque ela é tutelada há anos por políticos fajutos e incompetentes, que se estão nas tintas para a qualidade e interessadíssimos pela quantidade, impondo o facilitismo e a irresponsabilidade e obrigando os professores a pactuarem com isso para mascarar estatísticas. A Educação não é palhaçada, Sr. Abílio, porque um grupo de alunos e professores expõe uma forma diferente de arte, através de aproveitamento de (nalguns casos) lixo, e que provoca reações de admiração no comum do transeunte livre de preconceitos arcaicos como os que o senhor revela.

O seu respeitável currículo não lhe advoga o direito de se julgar culturalmente superior; a incapacidade que demonstra em entender um simples sátira política, sem qualquer laivo de má educação ou difamação pessoal, só outorga a sua inferioridade a esse nível.

O senhor já pensou em chamar palhaços a todos os humoristas, cronistas, colunistas que fazem sátira social? Não tem coragem para isso. Apenas a tem para se meter com crianças de 10, 11 ou pouco mais anos que se empenharam afincadamente para elaborar aquelas obras de arte que o senhor não tem capacidade para apreciar. O que o senhor fez, Sr. Abílio, é tão fácil como feio.

Julgo que se há palhaços nesta história toda, Sr. Abílio, lhe garanto que não são os pobres espantalhos que não fazem mal a ninguém.

A escola é dos alunos e dos professores, Sr. Abílio, não é dos políticos nem dos pseudorepórteres.

Ainda assim, reconheço que a sua atitude de crítica e desacordo nada tem de ilegal ou imoral e é um direito igual ao que eu tenho de exercer este contraditório. O que me choca profundamente, é haver gente com responsabilidade política que, ajudados por opiniões «velhas do restelo» como a sua, ordenaram a retirada de um boneco só porque tem uma sátira política vulgaríssima nos tempos que correm, e ainda por cima, carregada de razão.

Guarde o seu fel para coisas que se justifiquem caro colega. Não se enalteça, fazendo reportagens caseiras, à custa de um meritório trabalho escolar que, ainda que não goste, num direito inalienável que tem, procurou apenas dar algum colorido, alguma alegria e alguma boa disposição ao jardim de Castro Daire.

Uma coisa lhe garanto: se dependesse de mim, o enforcado seria exposto no mais nobre espaço da vila, onde nenhum político frustrado lhe pudesse tocar, nem que fosse bombardeado com pressões feitas pelas mais condecoradas figuras das artes e letras castrenses.

Não gaste mais das suas crónicas a vexar o trabalho de crianças. A arte é muito relativa, é certo, mas já não o é a incapacidade que se revela em manter a mente atualizada esquecendo que o 25 de Abril foi há quase 40 anos.

Paulo Carvalho

professor de EVT na Escola EB 2,3 de Castro Daire

Esta é a exposição

https://plus.google.com/photos/115247499410607173371/albums/5743959827768605761?banner=pwa

Esta é a ação do Sr Abílio Pereira Carvalho que levou à minha reação

Abílio Pereira de carvalho escreveu:

Lidas as primeiras linhas, e vista a orientação da narrativa, virada para a ofensa pessoal, parei. Em vez do esclarecimento pedagógico e cientifico relacionado com a «obra», nomeadamente a explicação dos objectivos educacionais pretendidos com o «espantalho enforcado» (chamei-lhe «palhaço, por ser tudo uma palhaçada) colocado junto ao Parque Infantil, sobre o que incidiram os dois vídeos, bem gostaria que a Exª Professora explicasse isso e dissesse a sua (dele) identidade colocada no B. I. que agrafaram na parte exterior bolso. Foram os professores, ou foram os alunos? Sobre o PROVINCIANISMO de que fala, ele fica bem expresso nestas duas narrativas: a sua e a minha. Outros, que não nós, seus autores, que as adjectivem, pela extensão e qualidade.

Abílio Pereira de Carvalho

O meu nome é Paulo Carvalho e sou professor (e não professora). Primeiro que tudo, não veja ofensa pessoal onde ela não existe e em vez de estar aqui a tentar saber qual de nós é mais cordato e educado em termos narrativos e, não deixando de entender o seu ponto de vista e, acima de tudo, respeitar o currículo que ostenta, apenas lhe deixo esta pergunta: se no decorrer desta atividade, o senhor, enquanto professor, visse um aluno a querer fazer esta sátira meramente política, o que fazia? Proibia-o? pois, por certo, não é? isso tem um nome Dr Abílio: CENSURA ou se pretender ser mais nostálgico, lápis azul!
Os alunos têm 10 e mais anos e sabem o que se passa na sociedade em que vivem e expressarem-se de forma livre é um direito que o 25 de abril lhes trouxe.
Termino, reiterando que não tenho o seu respeitável currículo, tenho metade da sua respeitável idade, mas tenho, pelo menos, a mesma educação e civismo que o senhor e exercerei o meu direito de resposta sempre que julgo necessário.
Os meus cumprimentos
Paulo Carvalho

Meu caro Professor:
Como nunca deixei pendurado sem resposta quem me contacta por via privada ou pública, aqui lhe respondo com a cordialidade com que sempre me relacionei com colegas e alunos:
PRIMEIRO: não é meu hábito, seja por palavras, seja por imagens, «fulanizar» as minhas críticas, a não ser que me obriguem a isso.
SEGUNDO: em nenhum dos vídeos publicados me reportei à escola ou escolas, apesar de me ter informado primeiro donde saiu a «obra-prima», o que muito lamento pois nessa escola deixei alguns anos de vida profissional.
TERCEIRO: se quiser dar lições de educação, de moral e ética, comece por rever o vocabulário que usa. Deixe de pessoalizar a questão, arrume o «vociferou», o «provincianismo arcaico», os «preconceitos arcaicos» os «pseudorepórtes», os «velhos do Restelo», o «estado novo» (linguagem que me recuso a classificar, nem entra na minha prática de escrita e social) e defenda a causa que o levou a «exercer o seu direito de cidadania e de resposta». Faço-o sem usar a má educação e ofensas pessoais ou de carácter, pois essa sua atitude mostra claramente o «provincianismo arcaico», o «estado velho», o «pretensiosismo» que evoca, olhando-se ao espelho.
QUARTO: eu próprio, quando no activo, usei materiais reciclados com os meus alunos levando-os a imaginar, a criar ou recriar coisa nova com coisa velha, seja o lixo reciclável. A reciclagem faz parte dos meus parâmetros mentais, seja a reciclagem material, seja e mental, quer dizer, quero viver a aprender e aprender até morrer.
QUINTO: mas já que, neste seu exercício de cidadania, em defesa do AGRUPAMEMNTO DE ESCOLA DE CASTRO DAIRE (chamar a si a opinião, não responsabilizando mais ninguém, é pura retórica, daí eu me ter dirigido à minha «INTERLOCUTORA») pretende dar lições de pedagogia, de história, cultura e arte, diga-me que obras produziu e publicou nesse domínio e, através do seu nome, eu procurar no GOOGLE tal título, a fim de a adquirir. Pois é por aí que eu entro na Biblioteca Nacional e vejo as «fichas» de arquivo.
SEXTO: a minhas «pseudoreportagens» puseram o enfoque no «ENFORCADO» e é sobre tal criatura, «criação» e expoente máximo de «criatividade», que eu desejaria fossem dadas, pública e responsavelmente, explicações sobre os objectivos educacionais relacionados com tal figura.
SÉTIMO: os meus trabalhos, crónicas e críticas públicas, são de adulto para adultos e jamais as dirigiria a crianças. Dizer o contrário, só quem ignora esses trabalhos, essas crónicas e essas críticas feitas ao longo de anos e pelos mais diversos meios. E quem ignora ou finge ignorar isso, senão mesmo deturpar, não pode dar lições de sabedoria e de pedagogia escolar ou social. Se pensa que evocando o 25 de Abril faz de si um democrata, era bom que lesse tudo quanto escrevi sobre esse evento e a postura pública e cívica que tomei a tal respeito. Mas com respeito, me despeço, se com respeito me tratam.
Abílio Pereira de Carvalho

Meu caro Dr Abílio Carvalho:

Já vi que apesar de desfasados na idade, temos algumas semelhanças, nomeadamente nunca deixar pendurado sem resposta quem nos contacta. Também o farei com a mesma cordialidade que evoca.

PRIMEIRO: Eu tive de «fulanizar» porque me dirigi a si; o senhor não fulanizou porque se dirigia a uma «obra-prima» que, tendo gente por trás, vai dar ao mesmo.

SEGUNDO: Eu não lhe dou lições de ética, moral ou educação e o meu vocabulário, que cita, sabe melhor que eu, pela formação que tem, que se trata de recursos estilísticos da língua chamados metáforas, usados para reforçar e simbolizar uma ideia que se quer transmitir. São tão pecaminosos como a sua «obra-prima» ou a sua «palhaçada». Ainda assim, considere-se vingado, pois devolveu-me os impropérios; acontece que já me olhei ao espelho e não vi nenhuma carapuça…

TERCEIRO: Diz que faz reciclagem mental… pois parece-me faltar-lhe uma cor no seu ecoponto: a cor do respeito pela liberdade dos outros. Aprende até morrer? Pois bem, ainda vai a tempo de aprender que a expressão livre é um exercício artístico inalienável dos alunos e é, em si, um objetivo educacional.

QUARTO: Já contava com os seus bicos de pés. Não o conheço, mas a vizinhança que o conhece já me vai alertando para essa sua prática. Ó Dr. Abílio então acha que a razão é diretamente proporcional aos livros que se escrevem? Acha que é porque tem escritos que aparecem no Google que tem o direito de achincalhar o trabalho dos outros, ainda por cima crianças?

SEXTO: Não cometerei aqui a indelicadeza de beliscar o seu currículo, que respeito, mas repetir-lhe-ei até à exaustão que isso não lhe confere nenhum direito sobre ninguém.

SÉTIMO: Finalmente, vou explicar-lhe devagarinho o significado simbólico do enforcado: trata-se de uma caricatura do primeiro-ministro (não do cidadão Pedro Passos Coelho) que perante um país endividado até aos dentes, se decide enforcar por não aguentar tanta dívida. O tema dos espantalhos era LIVRE e aquela turma foi livre e decidiu aquela temática. Que ofensa, meu Deus…

OITAVO: Sabe porque é que o Dr Abílio se entretém com reportagens, críticas e afins? Porque tem tempo para isso, gozando uma (acredito que merecida) aposentação, coisa que me parece, cada vez menos, eu e muitos milhares podermos almejar, por culpa deste e, sobretudo, de enforcados anteriores cuja forca não deveria ser em sentido figurado; em lugar da forca que mereciam ainda andam a filosofar à grande e à francesa com o meu dinheiro!

NONO: Já escreveu muito sobre o 25 de Abril? Pois ponha os calcanhares no chão, de vez, e admita que um democrata não denigre o trabalho dos outros. 25 de Abril é liberdade Dr Abílio e não me acredito que se eu lesse os seus frondosos escritos, encontrasse o contrário.

DÉCIMO: Se der o assunto por encerrado, eu também dou. Não se esqueça é que o primeiro pénalty foi seu e, portanto, o último será sempre meu!

ÚLTIMO: Gostava de o conhecer pessoalmente, pois tenho a certeza que em duas frases, concluiríamos que, se calhar, ambos somos boa gente e toda esta esgrima verbal se diluiria aos pés de algo que nem sequer se justificava!

Respeitosamente
Paulo Carvalho

Caro Professor

PRIMEIRO- A cada investida sua, cada vez me convenço mais que de comum, só temos o apelido. Os preconceitos que atravessam toda a sua argumentação (a passada e a presente) sobre a minha pessoa, colhidos junto dos seus vizinhos (leia-se de alguns colegas) cheira-me a conversa de soalheiro, de despeito, próprio dos medíocres, e nunca de troca de ideias de educadores com a elevação e o saber que deles se espera.

SEGUNDO — Todos os meus juízos críticos são submetidos à opinião pública e só assim é que se aquilata a liberdade de expressão, da educação e do fundamento das opiniões. Os livros dizem que uma coisa e «saber» e outra é ter «opinião».

TERCEIRO: No meu tempo de professor toda a actividade incluída nas tarefas escolares eram programadas segundo OBJECTIVOS GERAIS e OBJECTIVOS ESPECÍFICOS. A explicação genérica que me dá, em privado, sobre o «enforcado» bem gostaria que fosse tornada pública, mas segundo as regras de ensino-aprendizagem, isto é, acompanhadas da programação com os objectivos definidos, gerais e específicos.

QUARTO- A questão de querer atribuir aos alunos de 11 anos a iniciativa de tal ideia, para além de eu ter falado com os avós de uma criança participante, dizendo-me que ela «não sabia nada disso» a não ser ter participado e «estar triste por o terem tirado» de ao pé dos outros, é uma maneira de alijar as responsabilidades dos actos. E para professores é mau demais. Eu, como professor, jamais, usei os alunos para, através deles, transmitir ao público e aos políticos as minhas frustrações e angústias. E é tudo isso que ressalta dos seus textos, que tive o cuidado de imprimir, para, a qualquer tempo, poder demonstrar o que aqui afirmo.

QUINTO — Não atribua à minha aposentação as razões das minhas críticas e crónicas, pois, sempre exerci esse meu dever cívico, desde que me conheço. Fi-lo dentro da escola e fora dela. Está, pois, mal informado. A questão do meu currículo, foi você que o trouxe à baila, não fui eu. Mas, pelas suas palavras, parece que ele causa engulhos aos despeitados que o rodeiam. Mas isso não é novidade para mim. Esteja descansado por essa parte.

SEXTO — Se entende que tem razão, na questão levantada por mim (a do enforcamento), você e os seus pares, (foi nele que, por imagens e palavras, pus o enfoque nos meus vídeos) sugiro o transportemos esta nossa conversa para o domínio público e deixemo-nos de «razões privadas».A cidadania e a liberdade de expressão, em circuito fechado e/ou à mesa do café, ou em roda de maldizentes nas costas dos visados, é coisa que me nunca me atraiu. E como vê nunca usei o pomposo direito do «contraditório». Sobre o 25 de Abril estamos conversados. No tempo da outra Senhora, quem era contra, passava logo por comunista. Na democracia, quem discorda publicamente de uma atitude que nada tem de EDUCATIVA, é salazarento e faz censura e recorda-se que o 25 de Abril já foi há 40 anos. Atitudes dessas são do domínio da cultura e da psicanálise. Não vou perder tempo com elas.
Cordialmente
abílio pereira de carvalho

Caro Dr Abílio:
Então a questão do seu currículo fui eu que a trouxe à baila, hein? Passo a citar – «diga-me que obras produziu e publicou nesse domínio e, através do seu nome, eu procurar no GOOGLE tal título, a fim de a adquirir. Pois é por aí que eu entro na Biblioteca Nacional e vejo as «fichas» de arquivo» – citei – precisa de mais alguma coisa?. Não me faça rir, caro colega!
Dado que também não pretendo perder mais tempo com esta autêntica conversa da treta (olhando ao motivo que a despoletou), e algum enjoo começo a sentir dela, termino-a dizendo que estou, obviamente, disponível para debater esta questão consigo quando e onde quiser. Se isso acontecer, os ouvintes ficarão com duas certezas: um de nós ganhará em prosápia e o outro demonstrará que um espantalho feito por crianças jamais poderá justificar tal atitude.
A montanha não passa de um rato, meu caro!
Cordialmente
Paulo Carvalho

Meu caro Professor:
Ainda vou disponibilizar algum tempo para esclarecer este assunto.
Em que parte do texto que transcreveu eu me refiro ao meu curriculo?
Explico melhor a razão da minha sugestão: houve em Castro Daire um senhor
com laboratório em Lisboa do qual eu ignorava tudo. Sabido o seu nome,
recorri ao Google, Biblioteca Nacional, e vim a saber tudo sobre ele.
Obras publicadas no domínio da farmacopeia e por aí adiante.
Pode ver esta explicação desenvolvida no meu site «www.trilhos-serranos.com»,
cujo texto tem já muito tempo. Não falo ou escrevo ao sabor das
circunstâncias do momento. Verá que de outra forma, a não ser pelo caminho
que sugeri, o Google, eu jamais traçaria a Biografia de tal pessoa. Mas eu
falei som sinceridade e sugeri o caminho certo. O caro professor, com os
preconceitos que tem encaixados na cabeça e certamente influenciado por
alguns dos seus «vizinhos» foi logo para o meu currículo. É que o meu
curriculo, posto por mim, nem sequer está no Google. Está, isso sim, no meu
site, botão AUTOR. E eu não remeti para lá, o colega. Nem remeto. Apenas
informo para evitar mais equívocos.
Não há pois uma vírgula na frase que transcreveu que o autorize a dizer que
fui eu que trouxe à colação o meu currículo. Esclarecido? Custa-me estar a
ter esta conversa com um colega, mas deixar as coisas equivocadas ou
deturpadas é que não faço.
Cordialmente
abílio pereira de carvalho

Dr Abílio:
Eu já estou esclarecido a seu respeito. O que me parece é que ainda não está esclarecido em relação a mim. mas eu esclareço-o em duas linhas:
Sou um simples e discreto professor que, enquanto cidadão cumpre os seus deveres cívicos e enquanto docente, desempenha a função o melhor que sabe e pode, defendendo os alunos e a escola pública contra quem quer que seja, chame-se Abílio ou Crato ou outro qualquer, e nunca abdicarei de exercer o contraditório relativamente às minhas convicções. Parece-me que aí somos parecidos.
Tu o resto, meu caro, é floreado, e termino reiterando que nada de pessoal me pode mover contra quem não conheço. Apenas respondi a uma crónica que achei despropositada contra uma simples forma de expressão. Fá-lo-ei sempre em nome da liberdade de expressão… verbal e artística.
respeitosamente
Paulo Carvalho

Caro Profesor
Pois, nesse aspecto de dizermos o que há a dizer, temos sim senhor, algo de comum. Isso agrada-me e felicito-o por isso, isto é, não deixarmos as coisas pela calada dos bastidores, ainda seria melhor. Só que, efectivamente, se estamos esclarecidos no que respeita a nós próprios (e como nada conhecia de si quando lhe falei no Google, mais razão me dá, por nele ter falado) o mesmo não acontece com a matéria que foi objecto dos meus vídeos. Falta esclarecer os OBJECTIVOS EDUCACIONAIS que levaram à lição do ENFORCAMENTO simbólico junto de um Parque Infantil. Falta a publicação da PLANIFICAÇÃO da tarefa, explicitando esses objectivos. Mas eu adianto dois objectivos gerais, tendo em atenção a matéria os sujeitos da aprendizagem: «1 – conhecer a importância dos espantalhos na cultura camponesa».2 – sensibilizar os para o aproveitamento de materiais recicláveis». Objectivos específicos: 1- enforcar um espantalho no jardim; 2 – fazer um nó adequado na corda enrolada para melhor resultado; 3 – ajustar o laço ao pescoço; 4 – retirar o banco dos pés para melhor efeito.
Chega? Dito isto, e se a tarefa não foi planificada assim, como foi? É por isso que insisto, por mais voltas que dêem, que as vossas frustrações e angústias, sejam veiculadas através das crianças, contra o Crato, como ainda agora o fez ao dizer que sempre reagirá contra mim ou contra ele, vamos dar sempre no mesmo. O enforcamento ali, onde foi feito, não tem centelha de ACTO EDUCATIVO. Cordialmente abílio pereira de carvalho

Boa noite Dr. Abílio!
Pois que esta já longa troca de «galhardetes» acabará, como constato, por esclarecê-lo.
Politicamente, tenho asco, sim senhor, de todos os políticos criminosos, corruptos e incompetentes que nos últimos anos envergonham o país, atacam a Educação e a escola pública e até lhe confesso que sou daqueles que ainda atribui uma réstia de benefício de dúvida ao atual executivo, pois herdou aquilo que o maior delinquente político da História de Portugal deixou. Mesmo com essa aversão a políticos, o enforcado nem sequer era de uma turma minha e confesso que nem reparei nele particularmente antes desta polémica.
Educacionalmente – o que interessa de facto nisto tudo – onde o senhor erra clamorosamente é no facto de se esquecer que o «enforcado» é um de 27 espantalhos expostos. Podia ter feito 27 vídeos… ou melhor 54, pois fez 2 do seu «favorito». Seguindo o seu critério de ausência de conteúdo educativo, porque se meteu apenas com um? Se o critério foi político, havia lá, pelo menos, outro com a mesma temática. Foi pela corda? Pois se calhar houve pessoas que acharam mais chocante a sanita do pescador! Preferiram, no entanto, aplaudir a criatividade!
Meu caro Dr. Abílio: de uma vez por todos, veja o famigerado «enforcado» como apenas mais um dos 27 espantalhos. Foram de muito mau gosto (ai se era eu!) esses objetivos específicos que traçou. Gostei sim da sua proposta de objetivos (agora transformados em competências) gerais, que não distam dos que programámos, mas os específicos eram centrados na expressão artística livre e acredite que foram atingidos na plenitude, porquanto alguns alunos optaram por flores, outros por agriCOOLtores, outros por bailarinos, outros por sátira local (habigato por exemplo) e outros por… sátira política bem atual. Por isso mesmo a atividade foi, aliás ainda é, um sucesso rotundo.
Posso enviar-lhe, se quiser, a planificação da atividade para constatar o caráter livre da mesma.
Se o Dr. Abílio tem algum preconceito ou trauma pessoal relativamente ao primeiro-ministro ou a forcas, diga-me que me calarei para sempre, pois respeitarei tal facto. Se não tem, faça o favor de se retratar, falando a partir de agora (pois já vi que isto está para durar) na exposição total e não numa das 27 figuras.
Se quiser fazer uma «youtubagem» da exposição toda eu estou disponível para seu guia.
Respeitosamente
Paulo Carvalho

Caro professor, você pode deambular por onde quiser, dar a volta ao mundo muitas vezes, preencher páginas de palavras, mas não me faz desviar do essencial para me perder no acessório. Os livros por onde estudou são seguramente diferentes dos meus. Apesar de ter classificado o meu trabalho de «pseudoreportagens» (repare que só agora falo de mim) saiba que dei jornalismo e sei distinguir, para notícia, o que, no conjunto, destoa dos valores que devem ser veiculados pela EDUCAÇÃO. Diz-me que isto está para durar. Não está, não. Se quiser continuar terá de ser em circuito aberto, onde defenda a sua concepção educativa e pedagógica e eu defenda a minha. Tenho tanto que fazer que nenhuma CONVERSA DE SURDOS me entusiasma. Mas gostava de ver, seja qual for a terminologia usada, a planificação que levou ao ENFORCADO», pois na educação e na vida todo o acto humano que não seja inútil passa por um «processo» até chegar ao «produto». O produto físico está à mostra, o processo para atingir as tais «competências» e «aptidões» dos alunos é que eu gostava de ver publicado num qualquer livro ou revista da especialidade. Aqui não vale a pena.E no esboço da planificação com objectivos gerais e específicos, também, no meu tempo, operativos, só faltou «bater palmas, enquanto o enforcado esperneia». Veja o ridículo da tarefa e do acto que persiste em defender como educativo.
Vá lá que deixou cair a questão da censura, da minha mentalidade arcaica, e da minha impreparação para entender a arte feita com material destinado ao lixo e incapacidade para entender a liberdade e expressão artística.
De qualquer modo, faço minhas as suas palavras, isto nada tem de pessoal, pois nem sequer nos conhecemos. E até o felicito por ser o único professor que, com nome e rosto, se dignou assumir a defesa daquilo que, insisto, não é DEFENSÁVEL pedagogicamente. E tanto não é que o «boneco» voltou ao Jardim e não tiveram a coragem de repetir o acto. E voltou bem, pois eu sabia de pelo menos uma criança que estava triste por não ver o «espantalho» em que participou na exposição. Agora já não estará triste e isso me alegra a mim. Por isso, e pelo resto, dou por encerrado o nosso diálogo, se é que não foi um monólogo. E também quero retribuir o ensejo que fez de me quer conhecer pessoalmente. Não é difícil, ando sempre por aí, pela vila, e toda a gente sabe os lugares onde paro. É só procurar-me.
Cordialmente
abilio pereira de carvalho

Caríssimo Dr Abílio:
Também terminarei este diálogo (para mim foi um VERDADEIRO diálogo), não sem antes lhe dizer o seguinte:
Para além de umas incursões no seu «trilhos-serranos.com», sítio web que presta um louvável serviço à História e cultura locais, fiz também outras incursões pelo seu percurso académico e pela sua obra literária. Pelo que constatei, não será por certo a «despeitada vizinhança» (citando-o ) que o conhece que me impedirá de reconhecer o seu inegável mérito. Pessoas que fazem o que o senhor faz, a esse nível, terão sempre o meu louvor!
Uma coisa é o Dr Abílio que referi, outra coisa é o autor das reportagens que motivaram toda esta dialética.
E voltando a ela, à «vaca fria», os nossos livros serão, por certo, diferentes. Aliás, dou de barato que, em livros, nem perto de si quero chegar. Os livros são quase a sua vida — e ainda bem — mas a minha tem outras coisas para mim muito mais valiosas.
Caro Dr Abílio, você pode deambular por onde quiser, dar a volta ao mundo muitas vezes, preencher páginas de palavras, mas não me faz desviar do essencial, ou seja, não há planificação do enforcado. Há planificação da atividade total (elaboração e exposição de 28 espantalhos) e até no nosso site (http://www.aecastrodaire.com/index.php/escolas/escola-basica-23/atividades/153-expo-espantalhos.html) isso facilmente se depreende.
Eu não deixei cair a censura; reitero que a sua reportagem só não é um exemplo dela, porquanto ela não existe em termos práticos (estamos, ou deveríamos estar , num país livre); Contudo, quando alguém de responsabilidade manda retirar o espantalho, pois se não é censura é um qualquer sinónimo. Não me parece que tenha condenado tal atitude Dr Abílio.
O «enforcado», agora sem forca, voltou e o senhor acha que não tivemos coragem de quê? Como é possível!!! Lembra-se do que lhe disse no primeiro mail? Por mim o enforcado estaria nos Passos do Concelho. Mas nada tenho a ver com esse espantalho em específico, como também já lhe disse.
Mas se uma criança que seja, ficou feliz com o regresso, aí concordo plenamente consigo. Fazer crianças felizes é o primeiro fim da Educação. E utilizando esse critério, caso ainda esteja na disposição de me responder, pergunto-lhe: qual dos nossos atos contribuiu mais para isso?
Terei, pois, todo o gosto, em um dia destes que se proporcione — e acredito que será inevitável, apesar de não ser de cá — nos encontremos, e numa conversa de cavalheiros eu possa aprender mil coisas consigo, mas o Dr Abílio possa aprender uma comigo!
Respeitosamente
Paulo Carvalho

Caríssimo colega: não sei se lhe respondo em duplicado, pois escrevi-lhe através do Ipad e fiquei com a impressão que o correio não seguiu. É só para lhe dizer que relativamente à primeira parte da sua missiva não me pronuncio, a não ser para dizer que quem reconhece o mérito do trabalho alheio, reverte para si o mérito reconhecido. Relativamente à retirada do «boneco» e CENSURA, eu não tive nada a ver com isso. De resto sempre e só falei de EDUCAÇÃO, de acto EDUCATIVO e nunca de política. Se as coisas derivaram para aí não podem assacar-me essa responsabilidade.. Sobre o facto de eu me ter virado apenas para o «enforcado» e não para toda a exposição como referiu antes, far-me-á a justiça de eu ter feito tal como fizeram os profissionais dos média que vieram fazer notícia do caso. Os dos jornais e TVs. Eles profissionais, eu um simples cidadão com algum traquejo na matéria, pois exerço (agora já posso falar de mim) a cidadania crítica há muitos anos. Dou o caso por encerrado e se lhe agrada, apareça quando quiser. Verá que não sou o «sarnoso» que alguns, por despeito e mediocridade, pintam. Cordialmente abilio pereira de carvalho

Muito bem Dr Abílio!
Pois que da minha parte seja também encerrado o caso e garanto-lhe que, se o motivo que o motivou é injustificado, já o não é, o facto de ter tido o privilégio de trocar palavras (ainda que com cordialidade crescente e ainda bem, pois o contrário é que nos diminuiria) com alguém com a sua cultura e capacidade argumentativa. Uma falha ou outra todos temos…O senhor teve a sua, na minha opinião, e caso encerrado!

Termino, cometendo a ousadia de o convidar para, quando quiser vir aqui à escola e, quiçá, compará-la com a que deixou, aferindo avanços e retrocessos (ambos estão garantidos) e, obviamente conhecermo-nos e conversarmos um pouco. Terei todo o gosto nisso!

Lembra-se do último penálty ser meu? Pois bem, dado que neste «jogo» a minha intenção não era ganhar nada, mas apenas vincar uma posição e essa julgo-a conseguida por palpitar que nos percebemos um ao outro, não me ouvirá (neste caso, não me lerá) mais uma palavra acerca deste assunto, a não ser pessoalmente!
Acabou por ser um prazer conversar consigo!

Respeitosamente
Paulo Carvalho

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Coloquem a polémica no lugar certo, por favor!

1 06 2011

Estava eu a jantar quando, num breve zapping pelos canais, apanho uma notícia TVI ( claro) de que um boneco de brincar está a causar enorme polémica no mundo e agora em Portugal!

Dito assim, fixou-me a atenção e esperei pelo desenvolvimento. Eis que sou brindado com um rechonchudo boneco de fabrico espanhol, de nome «Glutão», que vem acompanhado com uma espécie de soutien com duas flores no lugar dos mamilos em que o boneco mama, chora para mudar de «peito» e arrota quando está satisfeito. Nada mais!

Pois bem! Ele são pedo-psiquiatras, ele são educadoras, ele são mães e pais, enfim, uma catrefada de gente a criticar tal brinquedo que comete o terrífico pecado de simular o aleitamento materno, alegando, nomeadamente, que pode potenciar a gravidez de menores.

Ora bem! Perante tal, aconteceu uma coisa que ultimamente me assola bastante e que é pensar se estarei eu louco ou se o mundo está mesmo perdido e esventrado da mais elementar lucidez. Que me lembre, nunca vi ou li qualquer polémica relacionada com brinquedos que simulam violência atroz como espadas, armas, bombas, facas, terminando nas vulgaríssimas pistolas que o meu filho usou na sua indumentária de cow-boy no últmo entrudo e que serviam para matar os índios. Nunca vi polémica associada a videojogos para criancinhas de 10 anos em que um carro obtem quantos mais pontos quantas mais pessoas atropelar ou um robot ganha mais vidas quantas mais pessoas chacinar. Agora vem esta gente dizer que estes brinquedos são autêntica catequese, comparados com esse hediondo boneco que mama num soutien de flores, chora para mudar de peito e arrota quando está satisfeito.

Quem arrotava era eu de raiva contra alguns imbecis que nada mais tem que fazer do que se pôr a inventar polémicas para aparecerem na televisão.

Talvez para eles já não seja polémico, por exemplo, que um país à beira da falência total tenha mais de 30% do povo a votar em quem tal provocou. Se calhar preferem dar o outro peito ao bebé  Sócrates porque ele está a chorar que já acabou o leite e quer continuar a mamar.

Pois por mim, ele nem chegará a arrotar. Por mim prefiro o… bebé Glutão!!!

Está tudo louco! Ou eu!

Paulo Carvalho





ESTE É O MEU CONTRIBUTO PARA A CAMPANHA ELEITORAL

5 05 2011

A epopeia de um déspota e a estratégia dos media: ensaio sobre um país à beira do caos!

por Paulo Carvalho

Sou um pacato, anónimo e honesto cidadão português e aquilo que me distinguirá da maioria dos meus compatriotas é o facto de escrever e partilhar a raiva que vai em mim, apesar de não ser fazedor de opinião, cronista, jornalista, famoso ou ter qualquer outro desses atributos que fazem com que apenas pessoas que não sentem a crise, sejam socialmente autorizados a falar dela. No dia em que os media derem tempo de antena a cidadãos honestos e trabalhadores que ganham 500 euros por mês, e deixe que estes condicionem opiniões, então aí sim a palavra Justiça começa a fazer sentido.

Não passo de alguém que quer apenas fazer chegar uma mensagem ao maior número de pessoas e, com isso, contribuir para que algumas mentes despertem da letargia. Se todos os portugueses (os que não se identificam com este Portugal, leia-se) fizerem um simples acto que demonstre a sua revolta, o país mudará, acreditem!

Este texto é a súmula de muitos textos que, de há uns anos a esta parte, me apeteceu escrever.

Quis a ironia do destino, ou melhor, quis o povo que Portugal tivesse ao leme dos seus destinos, há mais de cinco anos, um homem que, estou em crer, a História se encarregará de caracterizar melhor do que eu! José Sócrates Pinto de Sousa, que fez questão de adoptar o mais estranho dos seus nomes para sua chancela, quiçá procurando algum paralelo com o mais brilhante de todos os filósofos, mas esquecendo que o seu percurso tem tornado pecaminosa tal analogia, pois não haverá melhor exemplo de contradição.

Este homem foi eleito, como aliás acontece sempre em Portugal, não por qualquer mérito, mas por demérito de quem o antecedeu. Em Portugal ninguém ganha eleições; em Portugal apenas se perdem eleições. Os parcos horizontes mentais do meio país que vota desde o 25 de Abril, e a competência revelada pelos políticos, impedem que alguém ganhe eleições e fazem com que apenas o PS e o PSD percam eleições. Em 2005, o sábio povo, mais uma vez para castigar quem não lhes agradou, podia ter feito mil coisas, entre elas colocar no poder gente nova, partidos novos, de esquerda, direita, do centro, votarem todos em branco, votarem todos nulo… enfim; mas não! Como é apanágio na «democratura» tuga, castiga-se o peixe, votando na carne e castiga-se a carne, votando no peixe. Pior que isso, e constatando que o peixe é podre e a carne é putrefacta há décadas, perpetuam esse enjoativo jogo, num frenético exercício masoquista.

Claro que as estas coisas são lentas no tempo, mas o tempo acaba por chegar e damos por nós, hoje em dia, de caras com a inquietante factura desse mórbido ritual de troca bipolar de poder, assente na legitimidade do voto da populaça!

Trinta anos de política palaciana, em qua autênticos tsunamis financeiros inundavam atabalhoadamente o país, tornando a geração de pais e filhos dos últimos 30 anos numa generalizada máquina de consumo, cuja cegueira do aparente novo-riquismo, impediu que se implantassem as mais básicas regras de justiça social e, pior que tudo, que uma cultura desprovida de valores, de educação, de razão e, em última instância, de humanidade, alastrasse em Portugal. A mais aberrante consequência disso, são fortunas colossais amealhadas no exercícios de cargos públicos, onde os, já de si, absurdos e ofensivos vencimentos são complementados pela corrupção generalizada.

Este estado de abastança geral, levou a que as pessoas entrassem numa espécie de anestesia social, sem que as evidências de um país pobre cheio de gente rica, as incomodasse, vivendo o «hoje» e deixando o «amanhã» aos políticos.

Esse «amanhã» chegou e os políticos são os mesmos. O que variou, para muito melhor, foi o seu património pessoal. O país continua pobre; cada vez mais pobre. As pessoas, para além de continuarem pobres intelectualmente, são-no, agora e cada vez mais, financeiramente. Conclusão: se considerarmos ricos, aqueles que auferem rendimentos mensais acima de 3000 euros, merecidos ou não, há entre estes, dois grupos que condicionam a nação de forma brutal: os agentes ligados aos media (jornalistas, comentadores, apresentadores, etc) e os políticos. Os primeiros enquanto fazedores e moldadores de opinião e que, num país em que as mentes são franzinas, facilmente conseguem levar o rebanho ao prado que desejam; os segundos, porque governam e legislam e, por conseguinte, também levam o mesmo rebanho a seu prado, nem que seja pela simples força da Lei.

Deste pantanal, surge um país em que, no ano 2011, o ordenado mínimo está abaixo dos 500 euros, mas uma apresentadora de televisão, que pouco mais faz do que guinchar desalmadamente, ganha 50 000 euros mensais; um doente espera 5 anos por uma cirurgia, mas um gestor público ganha mais de um milhão de euros num ano; uma empresa pública tem 700 milhões de passivo, mas muda a frota de automóveis topo de gama dos administradores de 3 em 3 anos; um cidadão é preso por consumir droga, mas os mega-processos envolvendo figuras públicas arrastam-se por anos a fio e acabem em nada; o leite escolar paga 23% de IVA, mas os campos de golfe pagam 6%; o país está no limiar da bancarrota mas continua a falar-se no TGV e no aeroporto. Enfim, um rol de contradições que não existe termo no léxico português que caracterize o grau da sua aberração.

Isto é fruto de uma política em que o povo vota. Isto é fruto de políticos que, sabiamente, vivem à sombra da ignorância popular.

O epíteto dessa desgraça chama-se José Sócrates. Um autocrata obstinado! Um sujeito que lidera um partido desnorteado com mão de ferro com um bando de lacaios submissos, cujo mais ocupado assessor é o de imagem; aplaudem-no, dizem ámen a tudo, mas no fundo gostariam de ter coragem para enfrentar o mentecapto. Mas não têm… Um homem nascido e vindo do interior esquecido e que chegou ao sucesso por uma das únicas duas vias que permitem tal ascensão: o talento ou a política. Obviamente que, neste caso, apenas a segunda hipótese prevaleceu. Aliás, a política é para mim o mais obtuso, absurdo e contraditório conceito, pois se, por um lado, é aquilo que legal e constitucionalmente mais condiciona a vida das pessoas, por outro lado, é a maior imundice das pseudodemocracias; é um antro fétido de jogos de interesses instalados de clientelismos, regados por uma corrupção sórdida completamente impune.

Em 5 anos, Sócrates cometeu a proeza de decapitar por completo um país cuja cabeça acaba de ser entregue numa bandeja aos senhores da troika. A liderança política de José Sócrates esventrou toda a estrutura portuguesa, já de si débil, e atirou-nos para o limiar da bancarrota! O Homem que muitos pensam inteligente e detentor de dom de palavra, mas que pouco mais faz do que servir de manequim de fatos caríssimos, ler telepontos e olhar-se ao espelho, dando asas ao seu narcisismo agudo!

Luis Campo e Cunha (antigo ministro de Sócrates) diz, sobre esta crise, que vivemos um filme de terror em que o Drácula culpa a sua vítima, aludindo numa brilhante metáfora, a que Sócrates consegue hoje encarnar um papel absolutamente surreal de conseguir culpar os outros por uma tragédia imputável a si próprio. Mas eu pergunto sempre: o que é que consegue ser mais inacreditável? É um homem que, ciente que despojou um país de quase tudo, protagonizando um política suicida e liderando um Governo assassino e que se reapresenta de cara lavada a eleições como se nada lhe fosse imputável, ou será constatar que ainda é considerado um herói pelos seus acólitos, um brilhante estadista pelos «bate-palmas» que o rodeiam e, pior que tudo, segundo se consta, um bom primeiro-ministro para mais de 30 % do zé povinho?

Acreditem que quando penso nisso, dá-me vontade de, qual Zeca Afonso, pegar na trouxa e zarpar deste torpe país, onde abundam mentes desta natureza. Acho impressionante como há pessoas que preferem a certeza do mal, à incerteza. O velho chavão de que «eles são ruins, mas os outros se calhar são piores» atesta que este país está cheio de gente cuja cabeça facilmente se trocavam pela de um asno, em claro prejuízo deste!

Eu não posso acreditar que vivo num país, em vias de extinção, onde a um mês das eleições já se sabe o seu resultado, como se fosse utópico o PQANML (Partido Que Agora Não Me Lembro) ganhar com 100 % dos votos se toda a gente votasse nele! Não! Nem pensar nisso! O país está podre. As Instituições democráticas estão podres. A justiça podre. A educação apodrecida… tudo é podridão, mas, de sorriso no rosto, o zé portuga, vota PS ou PSD, únicos partidos de poder desde o 25 de Abril. É aqui que os media se movimentam no seu jogo sujo de moldar as pobres mentes. É como os jornais desportivos que ocupam metade da edição a falar no Benfica para vender! Os media dão horas a fio de tempo de antena aos ditos grandes partidos para que a populaça os assimile bem, nem que seja por exaustão. Os media gostam de Sócrates por dois motivos; porque adoram tragédias e porque não são alvos da sua política criminosa!

Também não aceito a treta do voto útil. Isso é um preconceito que os do costume agradecem, pois diz a matemática que ganha quem tem mais votos e se o PQANML tiver 50% mais um, é governo. Todos os votos são úteis, portanto, e são-no ainda mais se forem contra os cadáveres políticos vivos que estão agarrados à teta do poder como uma ostra à rocha e sabem que podem contar com a pobreza do povo, até daqueles que tratam mal a mãe dos políticos, mas atulham-se aos empurrões para tocar nos «Deuses» quando estes vêm à feira!

O país não é o que Sócrates diz. O país é o que Sócrates quis! Esta crise política mais não é do que a consequência da forma ardilosa (aliás ele de engenheiro tem apenas o engenho de ludibriar os papalvos) com que geriu os PECs. Sabendo desde logo do chumbo do PEC4 (agora imposto pelo FMI), apressou-se a demitir-se iludindo o povinho que a partir dali a culpa era da oposição, mas mais se apressou a chamar o FMI, esventrado a pouca soberania que nos resta. É como dizer: «Venham cá limpar a porcaria que eu fiz mas por culpa da oposição». Só um dos maiores mentecaptos da História de Portugal, um criminoso como lhe chama Medina Carreira, como Sócrates de tal seria capaz, e apresenta-se, porém, a votos, com aquele ar de quem nada deve mas a quem tudo de bom se deve! E as pessoas votam nele!

Hoje mesmo as sondagens dão o PS na frente. Se este PS ganhar estas eleições, Portugal ficará de luto e meio país desejará emigrar, nunca percebendo como é que um país se deixa prostrar aos pés de um déspota desta envergadura. Eu, por certo não emigrarei, mas acreditem que o nojo que, de há 20 anos para cá, vai aumentando por ostentar a triste chancela de ser português, talvez se transforme numa mudança de vida, para me sentir bem neste  pobre país: deixarei de trabalhar e pagar impostos para que o Estado me sustente com o rendimento mínimo,  alistar-me-ei numa claque de futebol, arrumarei, quem sabe, uns carritos, arrancarei metade dos dentes e colarei uns cartazes do PS, dizendo que José Sócrates é o meu pai! Aí sim, sentir-me-ei um orgulhoso português!

Conclusão: apetece-me vomitar quando penso em políticos neste país, mas o maior nojo que sinto é pertencer a uma sociedade que, eivada de uma pimbalhice generalizada, os perpetua e legitima no poder. Em suma, cada povo tem o que merece e nós merecemos estes políticos!

Apelo, pois, valendo isto o que vale, que no dia 5 de Junho nada seja justificação para não votar; que seja a maior afluência de sempre e que apenas uma coisa esteja nas vossas cabeças quando votarem seja em que partido for: será que eu quero que estes políticos continuem a comandar o meu país e o dos meus filhos?

No fim de pensarem nisso durante uma hora, então coloquem a cruz.

Paulo Carvalho





DOIS DOS MAIS BRILHANTES JORNALISTAS PORTUGUESES ASSIM FALAM…

10 02 2009

crespo1

Está bem… façamos de conta!

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo. Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das “melhores posições no Mundo” para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que “quem se mete com o PS leva”. Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de “malhar na Direita” (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a “falta de liberdade”. E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

Mário Crespo

clara1

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um
público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres
forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os
despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a
criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do
secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em
permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é
definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso
Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o
que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a
verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a
naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande
empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a
Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que
aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?


E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua
filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda,
muda, coxa e marreca.


Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.


Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.


Este é o maior fracasso da democracia portuguesa!

Clara Ferreira Alves





A ISTO CHAMA-SE… FALAR PARA UM ESPELHO!

22 01 2009

Vejam este video de há uns anitos atrás, transportem-no para hoje e digam lá se este senhor não está a falar para um espelho!!!





MUDAM-SE OS TEMPOS… MUDA-SE A GENÉTICA!!!

19 01 2009

osmiudosdehoje-4





MAIS UM TEXTO GENIAL DE R.A.P.

16 01 2009

Boca do Inferno – Ricardo Araújo Pereira Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Opinião

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto

Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira. Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.

O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.